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VN Barquinha: António Costa visitou a escola que todos querem visitar. E gostou muito

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São 9h00 e praticamente não há espaço para os pais deixarem os seus filhos na Escola Ciência Viva (ECV) em Vila Nova da Barquinha (VNB).Viaturas com gravatas ao volante vão chegando e não há lugares suficientes para estacionamento. Em breve os passeios serão invadidos.

Meia hora mais tarde já está tudo a postos. A Guarda Nacional Republicana já montou o dispositivo, discreto. Dois seguranças pessoais do primeiro ministro posicionam-se nas extremidades entre a comitiva que não quer perder a chegada de António Costa. Nessa comitiva estão autarcas, representantes das forças de segurança, dos bombeiros, do agrupamento de escolas e demais entidades oficiais.

Fernando Freire, presidente da câmara de VNB, e Paulo Tavares, diretor do Agrupamento de Escolas de VNB, são os anfitriões. Antes da chegada, uma funcionária da escola diz em surdina que no dia anterior “trabalhámos até à noite” para deixar a escola num brinco. Mas não se queixava, antes sorria.

Cerca de três dezenas de pessoas aguardavam a comitiva que chegaria sem atraso de monta, pelas 9h30. O carro de António Costa chega e atrás dele seguem quatro outras viaturas que o acompanham.

Deve ser caso de estudo. Em pouco tempo, a ECV recebe a cúpula da educação do país. Em meados de 2016 foi João Costa, secretário de estado da educação, a visitar VNB e em Maio passado foi a vez de Tiago Brandão Rodrigues, ministro da educação. Agora, para além do ministro da educação repetir a visita, trouxe com ele António Costa.

Lá dentro a volta foi completa. De sorriso permanente, António Costa assistiu a cada momento preparado a regra e esquadro por parte da direção da escola. Os laboratórios com os alunos e alunas devidamente equipados e esforçados nas suas experiências, o grupo de teatro com o guião bem estudado, as vozes afinadas do coro, até as mesas do refeitório com os tabuleiros, talheres e loiça devidamente alinhados.

Não falhou nada.

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VNB é território confortável para os socialistas e para o seu governo. Bem discreto – como aliás é seu timbre – Miguel Pombeiro, ex-presidente da autarquia, acompanhou a visita. Não que dela necessitasse não tivesse sido ele quem renovou e reorganizou completamente o campus escolar durante os seus mandatos.

Pedro Ferreira, presidente da Câmara de Torres Novas (PS) também fez questão de estar presente, o mesmo acontecendo com António Gameiro, presidente da distrital socialista e com o deputado Hugo Costa.

A volta à escola foi rápida mas paciente e interessada. António Costa e Tiago Brandão Rodrigues não se furtaram a questionar os alunos sobre o que viam. Todos passaram com distinção ao exame governamental.

A visita de António Costa à ECV foi exploratória, mas foi também um bom momento para o primeiro ministro enviar uma mensagem para o país. Numa altura em que se discute o reforço da intervenção das autarquias nos projetos educativos, o primeiro ministro aproveitou os sorrisos do dia e as cameras de televisão e microfones para dizer que para “aqueles que têm muito medo de ver reforçado o papel das autarquias no processo educativo este é um excelente exemplo de que as autarquias não fazem mal ao projecto educativo. Porque combinar a proximidade da autarquia, o entrelaçar da autarquia com a comunidade escolar e a autonomia pedagógica da escola mais a flexibilização da gestão dos políticos é um casamento muito feliz e a melhor prova é o fruto deste casamento”. Já antes elogiara o projeto da ECV, “tomei uma decisão: não há melhor forma de começar o dia como visitando uma escola. E de facto ontem era o dia mundial da criança. De facto, começar o dia numa escola tão sorridente é muito inspirador e demonstra bem a importância da escola, e esta em particular”.

“Nós hoje sabemos que todo o nosso futuro depende da capacidade que tivermos de produzir conhecimento e de o aplicar. Este investimento que está hoje a ser feito é da maior importância para aquilo que queremos que o país seja daqui a 25 anos quando estas crianças tiverem completado o seu processo educativo e puderem ter a oportunidade de se realizarem e de aplicar o conhecimento acumulado ao longo da vida”, disse o primeiro ministro, projetando depois o que considera serem as prioridades do país, “a maior obrigação que nós temos é prosseguirmos nas próximas décadas a investir na educação como prioridade central, não pode ser só uma paixão, tem de ser consumada”.

Já no final do discurso, António Costa congratulou o “notável” trabalho de toda a comunidade, “porque é difícil encontrarmos em qualquer parte do país uma escola com uma excelência destas. Só tenho mesmo pena de não poder voltar cá amanhã outra vez… (amanhã é sábado, ouviu-se na sala) “segunda feira!”, respondeu o governante. “Já vi que é uma excelente forma de começar o dia”.

Fernando Freire foi o primeiro a discursar no final da visita. O autarca realçou “a história da barquinha, que é a luta pela nossa nacionalidade e de que é exemplo o Castelo de Almourol, é o local onde se construíram as primeiras galeotas com que se iniciou os descobrimentos”.

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O presidente da autarquia aproveitou para apelar a António Costa sobre outro assunto que tem estado na sua agenda, “apelo ao senhor primeiro ministro, como militar aposentado, pois gostaria que numa hipotética solução Portela mais dois, a força aérea regressasse a VNB”.

“Os municípios são a estrutura fundamental para a questão dos serviços públicos numa dimensão de proximidade e VNB é um exemplo disso. Desde 2009 que tem contrato de transferência de atribuições de competência em matérias de educação. Fica então explicado porque é que a autarquia tanto investiu na educação”, afirmou ainda Freire a propósito das parcerias que permitiram a construção da escola e criação do projeto.

Já Paulo Tavares agradeceu a visita de António Costa e Tiago Brandão Rodrigues, “é um motivo de grande orgulho, sendo potenciadora de sinergias para continuar a desenvolver um trabalho profícuo pelos nossos alunos”, “preparamo-los para serem cidadãos em pleno neste século 21”.

O diretor do agrupamento de escolas disse ainda que o mesmo se encontra “envolvido num projeto de inovação pedagógica, foi um convite que muito nos honrou e esperamos que o nosso trabalho seja uma mais valia no sentido de contribuir para o sucesso educativo dos nossos alunos visando essencialmente a qualidade desse sucesso educativo. A vossa presença é inspiradora para continuara  desenvolver o nosso trabalho”.

À saída, questionado pelos jornalistas, e depois de ter cumprimentado uma a uma cada criança que o esperava num corredor humano, António Costa criticou a saída dos Estados Unidos do acordo de Paris. “Quando aqui chegámos, ouvimos logo o hino da escola e, creio que foi logo no primeiro verso, os meninos diziam que quando o mundo começou não havia poluição”, começou por dizer. “É pena o presidente Trump não ter frequentado esta escola. E é muito bom saber que estes meninos já sabem o que muitos responsáveis do mundo não sabem: só temos um planeta e o nosso primeiro dever é preservá-lo para as gerações futuras.”

Texto: Ricardo Alves

Fotos: Carlos Maia

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Médio Tejo: Caminhos do Ferro como primeiro passo

Ricardo Ribeiro, Aldara Bizarro, Galandum Galundaina, Teatro do Ferro, Baile dos Candeeiros, O cão que corre atrás de mim (e o avô Elísio à janela), Erva Daninha, Marina Palácio, Yola Pinto, Violant, Paulo Carmona, Sopa Nuvem, são apenas alguns dos espetáculos e artistas que de 11 a 16 de abril estarão em exibição nos Caminhos do Ferro, iniciativa da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIM Médio Tejo) e os seus treze municípios.

Ricardo Ribeiro

A CIM Médio Tejo criou, no final de 2016, o Comissariado Cultural do Médio Tejo (CC) tendo por objetivo estruturar o tecido cultural da região e lançar-lhe o desafio de aumentar a sua escala de acção, trabalhando em rede entre municípios.

O projeto Caminhos, fruto do trabalho desenvolvido pela CIM Médio Tejo, CC e Municípios, baseia-se em três anos de programação (2017, 18 e 19). Em cada um destes anos haverá três momentos de programação. O Caminhos subdivide-se em três momentos anuais: os Caminhos do Ferro, nos próximos dias 11 a 16 de abril, da Água (Julho) e da Pedra (Outubro).

Cada um destes caminhos, dentro do Caminhos, tem uma temática artística: em Abril a Dança, em Julho a Música e em Outubro o Teatro. Os caminhos dentro do Caminhos são definidos pelas vias de comunicação, no caso do Ferro as linhas ferroviárias, da Água os rios, da Pedra as auto-estradas e vias rápidas.

Co-finaciado pela União Europeia, Portugal 2020 e Centro 2020, o Caminhos tem o mote “Médio Tejo, uma região a caminho”. Esta ambivalência esteve e está presente em toda a estruturação do projecto. Não só  “a região administrativa Médio Tejo, recente e desprovida de identidade que só o tempo pode oferecer, carece de uma afirmação junto dos cidadãos e cidadãs, como a região, geográfica e turisticamente está a caminho. Nenhuma região está tão próxima de todo o país como o Médio Tejo”, “estamos a caminho, atravessam-nos viagens, tocam-nos cruzamentos. Como nenhuma outra”, afirmou um dos comissários, Ricardo Alves.

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Luís Ferreira, outros dos comissários do projeto, disse que o projeto “é complexo” tendo destacado a “novidade” de uma “programação cultural em rede” nos 13 municípios que integram a CIMT e o objetivo de “implementar uma oferta cultural que possa igualar a excelência do património material e imaterial existente” na região do Médio Tejo, no distrito de Santarém.

A rede ‘Caminhos’ “integra três roteiros de formação e animação cultural associados a elementos que unem a região internamente e fortalecem a sua ligação ao mundo”, destacou o comissário cultural, “serão três grandes caminhos, três ciclos de programação em cada ano, que se desenham sobre três vias de acesso que afirmam o Médio Tejo, não apenas como lugar de enorme valor patrimonial, mas como património acessível para ser vivido”, sublinhou Ferreira, tendo feito notar que “o turismo é uma das áreas em que a CIM do Médio Tejo aposta para o desenvolvimento da região, pretendo potenciar novos contactos e promover os seus destinos”.

O projeto, orçado em “algumas centenas de milhares de euros” para os três anos de duração, visa “deixar lastro junto das comunidades para que estas possam ficar mais apetrechadas e capacitadas para as práticas culturais no futuro”, através de interação entre artistas e populações, e “com espetáculos a decorrer em fins de semana alargados, junto de locais de referência patrimonial, e em outros menos óbvios, como seja em grutas, barcos, castelos, ruas, praias fluviais, comboios”, entre outros.

Maria do Céu Albuquerque, presidente do Conselho da Cim Médio Tejo, destacou na apresentação do projeto na Bolsa de Turismo de Lisboa, a aposta na promoção turística da região centrada em três momentos ao longo do ano, que incluem residências artísticas, workshops e espetáculos, “envolvendo as populações locais, artistas com ligação à região, nacionais e estrangeiros, destacando ainda o papel deste projeto “ambicioso” que contribui para a “afirmação turística” da região ao fazê-la caminhar com um ritmo único, assente nas suas “especificidades”.

Património é palco

Cinco artistas trabalham há já um mês em cada um dos municípios dos Caminhos do Ferro. Violant em Tomar, Marina Palácio em Vila Nova da Barquinha, Yola Pinto em Abrantes, Paulo Carmona em Mação e o Teatro do Ferro no Entroncamento. Cada um destes artistas criaram um percurso artístico nos concelhos em que se debruçaram. O percurso artístico trabalha identidades concelhias, através de residências artísticas. Yola Pinto, por exemplo, encantou-se pela história industrial de Tramagal, concelho de Abrantes. Com hora marcada, durante os dias de programação, o percurso estará disponível (ver programa) para os visitantes que poderão realizá-lo de forma orientada.

Baile dos candeeiros

Marina Palácio, em Vila Nova da Barquinha, propõe “O Espantoso caminho das Árvores-biblioteca”, um percurso artístico para descobrir com a artista, que tem ponto de partidas nas árvores e ponto de chegada nos laços afetivos geracionais, sem esquecer as raízes que dão força à identidade local e à memória das gentes.

A escrita criativa (poesia) e a ilustração partilham-se em cada ramo deste percurso inspirado não só nas folhas das florestas, quintais e jardins, mas também nas folhas dos livros. Elementos simples que merecem uma paragem na correria do quotidiano para saborear o momento, descobrir a beleza e respeitar o meio envolvente.

A artista trabalhou com seniores e crianças do concelho para desenterrar emoções, memórias e criatividade.

Violant, criador de arte urbana, respirou e sentiu o ritmo de Tomar e criará dois murais gigantes que poderão ser visitados durante a semana de programação e que ficarão. O mesmo acontece com todos os outros percursos. A continuidade dos percursos fica assegurada com a formação de mediadores locais, dois de cada concelho, que ficam capacitados para orientar visitas no futuro.

A valorização patrimonial está  no centro da programação com cada um dos monumentos, edifícios, locais de interesse nacional ou regional a comunicar o “vizinho”. A vertente turística está assegurada. O património, os centros históricos serão cenário para espectáculos multidisciplinares. A ideia de caminho está subjacente a toda a programação, o movimento, a ligação, o percurso.

O Castelo de Almourol servirá de cenário para o Baile dos Candeeiros, da companhia Radar 360, em que bailarinos e bailarinas dançam com candeeiros iluminados e coloridos nas suas cabeças. O espetáculo repete-se na Praça Salgueiro Maia, no Entroncamento.

Deixar Lastro

Uma outra vertente, nunca menos importante, prende-se com a capacitação do tecido regional, das pessoas que habitam no e vivem o Médio Tejo. Assim, a rede funcionará numa lógica de comunhão intermunicipal de intervenientes. Os percursos são base fundamental do processo do Caminhos com artistas a interagir com as comunidades locais. Exemplo desta lógica são as intervenções de Aldara Bizarro já em abril. A renomada coreógrafa vai trabalhar com bailarinos e bailarinas amadores, sejam de ranchos folclóricos, danças de salão, entre outros, de cada um dos concelhos intervenientes dos Caminhos do Ferro. Aldara Bizarro propõe o projecto “Andar” que reunirá 10 participantes de cada um dos concelhos dos Caminhos do Ferro (Abrantes, Entroncamento, Mação, Vila Nova da Barquinha e Tomar). No total, 50 participantes ensaiarão o espectáculo de dança e exibirão em Abril. O espectáculo será depois reposto em Julho, nos Caminhos da Água.

Aldara

O Projeto Caminhos é um caminho a ser percorrido por todos, população local, turistas, municípios, e CIM Médio Tejo. Não é um festival, não é uma mostra, é um projeto para uma região, um projeto cultural e artístico que deseja deixar lastro.

O Comissariado Cultural da CIM Médio Tejo é composto por Luís Ferreira (Diretor do Festival Bons Sons e do 23 Milhas de Ílhavo), Elisabete Paiva (Diretora do Festival Materiais Diversos) e Ricardo Alves (Diretor do Jornal NA). A CIM Médio Tejo é composta por Abrantes, Alcanena, Constância, Mação, Vila Nova da Barquinha, Entroncamento, Ourém, Tomar, Ferreira do Zêzere, Vila de Rei, Sertã, Sardoal e Torres Novas.

 

 

VN Barquinha: 25 de Abril com calor e muita animação

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As celebrações do 25 de Abril em Vila Nova da Barquinha vão oferecer desporto, música, animação e as tradicionais cerimónias oficiais. Consulte o programa para um dia que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera prevê temperaturas de 26 graus de máxima e com o sol a espreitar por entre poucas nuvens.

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25 de Abril (segunda feira)

09h00 | Praça da República Hastear da Bandeira seguido de concerto pela Banda de Música dos Bombeiros Voluntários Barquinha 09h30 | Parque Ribeirinho Corrida da Liberdade 10h00 – 12h00 | Parque Ribeirinho Workshop de Canoagem (Clube Náutico Barquinhense) 14h00 – 19h00 | Parque Ribeirinho Insufláveis + Ateliers infantis (Cravos de papel / Espaço dos Adereços e Pinturas Faciais / Ateliê grupo Arregaita 16h00 | Igreja Matriz de Vila Nova da Barquinha Grupo Coral de Tancos 17h00 | Auditório do Centro Cultural Grupo Barquinha Saudosa Entrada livre Promotor: Município de Vila Nova da Barquinha sensorial) 15h00 | Auditório do Centro Cultural Arruada seguida de Concerto Musical – Músicas de intervenção pelo grupo Arregaita 16h00 | Igreja Matriz de Vila Nova da Barquinha Grupo Coral de Tancos 17h00 | Auditório do Centro Cultural Grupo Barquinha Saudosa
Entrada livre
Promotor: Município de Vila Nova da Barquinha

Editorial Março, Ricardo Alves – Director NA

“Estratégia”

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Basta olhar a água com maior atenção para lhe vermos a sujidade, a magreza do seu corpo, fruto de ataques continuados e impunes desde terras espanholas. Os autarcas queixam-se, manifestam-se. Mas por outro lado não o devem fazer com muita estridência. É que depois têm de vender o seu peixe, literalmente

A vida de autarca não será nada fácil. A crise trouxe um decréscimo no número de promessas que os políticos sempre fizeram na altura de caçar votos, simplesmente porque as mesmas nunca foram tão ilusórias. Cada vez mais é difícil encontrar projectos estruturantes e estratégicos.


Não é o caso do transporte a pedido, projecto da Comunidade Intermunicipal e que agora chega a Vila Nova da Barquinha. É, efectivamente, uma novidade que se congratula, encurtando distâncias e oferecendo mobilidade, um verdadeiro serviço público e um projecto enquadrado na importante promessa de uma comunidade do Médio Tejo a pensar em ampliada escala.


E quando escrevo que é um projecto da Comunidade Intermunicipal estou a escrever que é dos autarcas que a compõem . É lá, em Tomar e na sua sede, que os 13 presidentes de câmara poderão explanar as suas visões para a região e para os seus cidadãos. No meio está a virtude, diz o provérbio. Será?


De um lado um governo central há muito de costas voltadas para o interior do país, para os seus problemas. Do outro os autarcas, o poder local, tentando encontrar ideias no meio dos escombros. A vida de autarca não é fácil. Vejamos o caso do Rio Tejo.


Basta olhar a água com maior atenção para lhe vermos a sujidade, a magreza do seu corpo, fruto de ataques continuados e impunes desde terras espanholas. Os autarcas queixam-se, manifestam-se. Mas por outro lado não o devem fazer com muita estridência. É que depois têm de vender o seu peixe, literalmente, têm de apelar aos turistas para nos visitarem, para passearem de canoa no rio, visitarem o castelo no meio do rio, irem aos eventos nas margens do rio, degustarem as iguarias do rio…


No fundo os autarcas estão entre a espada e a parede, num constante deambular entre a realidade e a ficção. Acredito que tenham algum descanso, apesar de muito breve, quando projectos como o transporte a pedido vêem a luz do dia. Um interlúdio na ficção que hoje vivemos. A estratégia vale o que vale mas sem ela, mais do que nunca, o mundo fica absolutamente caótico.

VN BARQUINHA: Transporte a Pedido a partir de Maio

O projecto da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo é inovador e depois de uma fase de experiência piloto em Mação, em Janeiro de 2013, chega a Vila Nova da Barquinha, depois de implementado em Abrantes, Sardoal e Ourém. Aproximar as populações rurais, mas não só, aos serviços públicos é um dos objectivos

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A apresentação realizou-se no dia 3 de Março no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha (VNB) e serviu para esclarecer a população sobre a nova solução de mobilidade. O Transporte a Pedido, projecto desenvolvido pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), foca-se nas populações rurais, oriundas de zonas de baixa densidade populacional, e que a partir de Maio vai permitir a ligação entre Cafuz (Praia do Ribatejo) e a sede do concelho, passando por Tancos e tendo ainda dois percursos experimentais até à estação ferroviária do Entroncamento.

O transporte consiste na disponibilização de táxis e autocarros escolares em percursos de ida e volta com horários previamente definidos, no período da manhã, almoço e tarde. Para aceder ao serviço o utilizador terá de ligar antecipadamente para marcar a viagem e deslocar-se no dia da mesma aos locais de paragem.

Transporte Público

Um projecto “inovador”, assim o caracterizou Miguel Pombeiro, Secretário Executivo da CIMT, acrescentando que o Transporte a Pedido “se assemelha ao transporte público, com percursos, horários, paragens e tarifários definidos”. A diferença, explicou, “é que é necessária a pré-reserva por telefone”. Mas há mais diferenças, segundo os dados disponibilizados por Miguel Pombeiro, “o transporte a pedido permite uma redução de 95% dos quilómetros percorridos pelo transporte regular”.

Efectivamente, se não houver pré reservas as viaturas não se deslocam às paragens definidas. As pré-reservas podem ser feitas através do número de telefone 800 209 226 (gratuito) e os preços foram estabelecidos com base em valores padrão correspondentes a 1,5 da tarifa de bordo dos autocarros e a divisão da despesa de um táxi por quatro passageiros. As viagens custam €1,60 se não excederem os cinco quilómetros, €2,80 entre esta distância e os 15 quilómetros e €4,00 entre os 15 e os 25 quilómetros.

Para quem utilize o serviço de forma regular existe a possibilidade de aquisição de um pacote de 10 bilhetes com desconto de 30% no total.

Números do projecto

O projecto é simples, apesar de parecer o contrário. Na apresentação, que contou também com Fernando Freire, presidente da Câmara de VNB e Olinda Pereira, consultora da TIS – Consultores em Transportes Inovação e Sistemas, foi realçado que uma das dificuldades iniciais foi a “desconfiança das populações”, numa altura em que é raro serem apresentados serviços como este, “que efectivamente ajudam as populações”.

Mas segundo Olinda Pereira, os dados são esclarecedores. “Temos elevados níveis de satisfação”, assinalando que “os lugares mais pequenos geram mais procura” e que 67% das deslocações são por motivos de saúde e 72% das pessoas que utilizaram o serviço fizeram-no mais que uma vez”.
Olinda Pereira detalhou ainda que o circuito de VNB foi “desenhado para integrar os serviços já existentes do Transporte Escolar” e que tem início em Cafuz, passa pela sede de freguesia, Tancos, VNB, zonas residenciais de Moita do Norte e Atalaia e, finalmente, Estação de Caminhos de ferro do Entroncamento”, esta última paragem é articulado com os horários dos comboios Intercidades.

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Divulgação

Fernando Freire apontou a necessidade de se proceder à divulgação do projecto junto das populações e que esse trabalho, antes do arranque em Maio, será fundamental para a implementação com sucesso do mesmo. “Em VNB pensámos na zona rural da freguesia de Praia do Ribatejo, nomeadamente Cafuz, Madeiras e Limeiras, para permitir a deslocação aos serviços da vila, como é o caso da Loja do Cidadão, Centro de Saúde e outros serviços públicos”.

Texto: R.Alves
Foto: P. Basso

VN Barquinha: Testemunhas revelam momentos de tensão dentro do banco

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O assalto que ocorreu esta manhã, por volta das 9h15, terá sido cuidadosamente planeado e perpetrado por indivíduos com experiência, é pelo menos isso que os testemunhos que o JNA recolheu no local indiciam. Segundo uma cliente, de 69 anos, de Moita do Norte, que entrava no banco pelas 9h20, os assaltantes aperceberam-se da sua entrada e puxaram-na para dentro do banco encostando-a a um dos cantos da sala. “Fiquei muito nervosa, estavam encapuzados e tinham uma arma”, conta-nos esta cliente que se preparava para depositar dinheiro na sucursal, “está aqui todo (o dinheiro) na minha mala, eles só se preocuparam com o dinheiro das caixas e do cofre”.

Uma outra cliente, de Vila Nova da Barquinha, que também estava a entrar no banco, apercebeu-se de que algo estava mal quando viu as pessoas sentadas no chão. “Um dos assaltantes saiu e apontou-me a arma à barriga e disse-me para estar calma e calada”. Esta cliente, à saída do banco após duas horas de recolha de testemunhos e provas, ainda se encontrava visivelmente nervosa mas contou que ouviu um dos assaltantes dizer que faltavam “três minutos” para a abertura do cofre.

O cofre do banco tem um temporizador para a sua abertura. “Pareceram sempre calmos e seguros do que estavam a fazer, descontraídos mesmo”, conta a cliente de Vila Nova da Barquinha.

Uma outra cliente que se encontrava ao balcão aquando da entrada dos assaltantes pormenorizou o modus operandi da dupla. “Entraram e mandaram todos ficar calmos e disseram que nada tinham a perder, que se gritássemos ou pegássemos nos telemóveis que nos davam um tiro a todos e se matavam a seguir”.

Ainda segundo esta testemunha, os assaltantes não se preocuparam com os bens de clientes ou funcionários, estavam unicamente centrados no dinheiro em caixa e no cofre. O assalto terá durado cerca de dez minutos e todas as clientes com que o JNA falou afirmaram que tudo foi feito de uma forma que indicia experiência neste tipo de crime.

Os peritos da Polícia Judiciária chegaram ao local por volta das 11h00 e estão neste momento a recolher provas no local.

VN Barquinha: Director do Jornal Novo Almourol hoje no Palavras Soltas

Ricardo Alves é o convidado desta quinta feira, dia 25 de Fevereiro, do espaço de conversa “Palavras Soltas”, organizado pelo Centro de Estudos de Arte Contemporânea (CEAC) de Vila Nova da Barquinha.

A conversa vai decorrer pelas 18h30 na Sala Estúdio do CEAC.

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