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Vila Nova da Barquinha, residência oficial do BONS SONS

bons sons

O BONS SONS é o grande festival da região centro, que decorre, este ano, entre os dias 11 e 14 de Agosto em Cem Soldos, Tomar. Nesta edição, reafirma o seu papel enquanto plataforma da música portuguesa propondo mais de 40 concertos, nos 8 palcos dispersos pela aldeia, reunindo artistas consagrados e emergentes de vários registos musicais.

O BONS SONS atrai milhares de visitantes à região centro durante os quatro dias de concertos, artes performativas, curtas-metragens, feiras e muitas outras propostas. Neste evento procura-se receber da melhor maneira todos os queiram viver a aldeia, o que se reflete tanto na variedade de estilos da escolha musical, como na organização do evento, preparada para satisfazer vários tipos de públicos, melhorando a acessibilidade a pessoas com mobilidade reduzida e as respostas para o público família.

O festival assegura aos visitantes portadores com Passe 4 Dias um amplo e fresco terreno para campismo com serviços de apoio. Mas para quem não tem tenda ou não quer perder tempo em montagens e desmontagens, existem outras opções nas proximidades.

Este ano a Vila Nova da Barquinha é a residência oficial do BONS SONS. Situada a menos de 20km do recinto é uma opção próxima e confortável para os festivaleiros interessados em explorar a região. A simpática vila, para além de estar dotada de várias tipologias de unidades hoteleiras e de turismo rural, é em si mesma um ponto de interesse turístico, em que se pode visitar o Castelo de Almorol ou o Parque de Escultura Contemporânea, para além das praias fluviais deste concelho banhado pelo Rio Tejo.

No BONS SONS, viver a aldeia é também viver a região.

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Bons Sons: E quando já tudo estava perfeito… ficou ainda mais

Se é verdade que o programa do Festival Bons Sons 2017 suscitou enorme entusiasmo entre os jornalistas que se deslocaram à aldeia de Cem Soldos, e depois nos leitores que propagaram o cartaz pelo país, eis que a organização nos brinda com mais um momento único para Agosto.

Num cartaz com Mão Morta, Samuel Úria, Capião Fausto, Virgem Suta, Orelha Negra, Rodrigo Leão ou Frankie Chavez, entre muitos outros, ainda cabe a grande surpresa. José Cid vai viver a aldeia entre 11 e 14 de agosto.

O músico vai apresentar o concerto de celebração do álbum 10.000 Anos Depois entre Vénus e Marte, álbum lançado em 1978 e que na altura não teve o impacto merecido, algo que costuma acontecer com as obras que surgem à frente do seu tempo e por isso não são valorizadas. Mas o álbum tornou-se culto, tanto em Portugal como fora dele. O álbum contou com José Cid, Zé Nabo no baixo e na guitarra, Mike Sergeant, a percussão de Ramon Galarza.

Cem Soldos é um aldeia orgulhosa e o epicentro da música portuguesa em agosto. Pela aldeia do concelho de Tomar passam cerca de 40 mil festivaleiros em Agosto, numa organização do Sport Clube Operário de Cem Soldos e que conta com 300 voluntários de todo o país.

Durante os dias de festival, e fora dele, escreva-se, torna-se evidente que se respira saúde social com todas as gerações integradas, desde as crianças aos idosos. Uma experiência única numa região que ainda está a conhecer os seus próprios recantos.

O bilhetes estão à venda no site do festival e em Ticketline, CTT, FNAC, Worten, El Corte Inglés, C.C. Dolce Vita, Casino Lisboa, Galerias Campo Pequeno, Agência Abreu, ABEP, MMM Ticket, C.C. Mundicenter, CCB, Shopping Cidade do Porto, U-Ticketline.

Médio Tejo: Caminhos do Ferro como primeiro passo

Ricardo Ribeiro, Aldara Bizarro, Galandum Galundaina, Teatro do Ferro, Baile dos Candeeiros, O cão que corre atrás de mim (e o avô Elísio à janela), Erva Daninha, Marina Palácio, Yola Pinto, Violant, Paulo Carmona, Sopa Nuvem, são apenas alguns dos espetáculos e artistas que de 11 a 16 de abril estarão em exibição nos Caminhos do Ferro, iniciativa da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIM Médio Tejo) e os seus treze municípios.

Ricardo Ribeiro

A CIM Médio Tejo criou, no final de 2016, o Comissariado Cultural do Médio Tejo (CC) tendo por objetivo estruturar o tecido cultural da região e lançar-lhe o desafio de aumentar a sua escala de acção, trabalhando em rede entre municípios.

O projeto Caminhos, fruto do trabalho desenvolvido pela CIM Médio Tejo, CC e Municípios, baseia-se em três anos de programação (2017, 18 e 19). Em cada um destes anos haverá três momentos de programação. O Caminhos subdivide-se em três momentos anuais: os Caminhos do Ferro, nos próximos dias 11 a 16 de abril, da Água (Julho) e da Pedra (Outubro).

Cada um destes caminhos, dentro do Caminhos, tem uma temática artística: em Abril a Dança, em Julho a Música e em Outubro o Teatro. Os caminhos dentro do Caminhos são definidos pelas vias de comunicação, no caso do Ferro as linhas ferroviárias, da Água os rios, da Pedra as auto-estradas e vias rápidas.

Co-finaciado pela União Europeia, Portugal 2020 e Centro 2020, o Caminhos tem o mote “Médio Tejo, uma região a caminho”. Esta ambivalência esteve e está presente em toda a estruturação do projecto. Não só  “a região administrativa Médio Tejo, recente e desprovida de identidade que só o tempo pode oferecer, carece de uma afirmação junto dos cidadãos e cidadãs, como a região, geográfica e turisticamente está a caminho. Nenhuma região está tão próxima de todo o país como o Médio Tejo”, “estamos a caminho, atravessam-nos viagens, tocam-nos cruzamentos. Como nenhuma outra”, afirmou um dos comissários, Ricardo Alves.

yola pinto

Luís Ferreira, outros dos comissários do projeto, disse que o projeto “é complexo” tendo destacado a “novidade” de uma “programação cultural em rede” nos 13 municípios que integram a CIMT e o objetivo de “implementar uma oferta cultural que possa igualar a excelência do património material e imaterial existente” na região do Médio Tejo, no distrito de Santarém.

A rede ‘Caminhos’ “integra três roteiros de formação e animação cultural associados a elementos que unem a região internamente e fortalecem a sua ligação ao mundo”, destacou o comissário cultural, “serão três grandes caminhos, três ciclos de programação em cada ano, que se desenham sobre três vias de acesso que afirmam o Médio Tejo, não apenas como lugar de enorme valor patrimonial, mas como património acessível para ser vivido”, sublinhou Ferreira, tendo feito notar que “o turismo é uma das áreas em que a CIM do Médio Tejo aposta para o desenvolvimento da região, pretendo potenciar novos contactos e promover os seus destinos”.

O projeto, orçado em “algumas centenas de milhares de euros” para os três anos de duração, visa “deixar lastro junto das comunidades para que estas possam ficar mais apetrechadas e capacitadas para as práticas culturais no futuro”, através de interação entre artistas e populações, e “com espetáculos a decorrer em fins de semana alargados, junto de locais de referência patrimonial, e em outros menos óbvios, como seja em grutas, barcos, castelos, ruas, praias fluviais, comboios”, entre outros.

Maria do Céu Albuquerque, presidente do Conselho da Cim Médio Tejo, destacou na apresentação do projeto na Bolsa de Turismo de Lisboa, a aposta na promoção turística da região centrada em três momentos ao longo do ano, que incluem residências artísticas, workshops e espetáculos, “envolvendo as populações locais, artistas com ligação à região, nacionais e estrangeiros, destacando ainda o papel deste projeto “ambicioso” que contribui para a “afirmação turística” da região ao fazê-la caminhar com um ritmo único, assente nas suas “especificidades”.

Património é palco

Cinco artistas trabalham há já um mês em cada um dos municípios dos Caminhos do Ferro. Violant em Tomar, Marina Palácio em Vila Nova da Barquinha, Yola Pinto em Abrantes, Paulo Carmona em Mação e o Teatro do Ferro no Entroncamento. Cada um destes artistas criaram um percurso artístico nos concelhos em que se debruçaram. O percurso artístico trabalha identidades concelhias, através de residências artísticas. Yola Pinto, por exemplo, encantou-se pela história industrial de Tramagal, concelho de Abrantes. Com hora marcada, durante os dias de programação, o percurso estará disponível (ver programa) para os visitantes que poderão realizá-lo de forma orientada.

Baile dos candeeiros

Marina Palácio, em Vila Nova da Barquinha, propõe “O Espantoso caminho das Árvores-biblioteca”, um percurso artístico para descobrir com a artista, que tem ponto de partidas nas árvores e ponto de chegada nos laços afetivos geracionais, sem esquecer as raízes que dão força à identidade local e à memória das gentes.

A escrita criativa (poesia) e a ilustração partilham-se em cada ramo deste percurso inspirado não só nas folhas das florestas, quintais e jardins, mas também nas folhas dos livros. Elementos simples que merecem uma paragem na correria do quotidiano para saborear o momento, descobrir a beleza e respeitar o meio envolvente.

A artista trabalhou com seniores e crianças do concelho para desenterrar emoções, memórias e criatividade.

Violant, criador de arte urbana, respirou e sentiu o ritmo de Tomar e criará dois murais gigantes que poderão ser visitados durante a semana de programação e que ficarão. O mesmo acontece com todos os outros percursos. A continuidade dos percursos fica assegurada com a formação de mediadores locais, dois de cada concelho, que ficam capacitados para orientar visitas no futuro.

A valorização patrimonial está  no centro da programação com cada um dos monumentos, edifícios, locais de interesse nacional ou regional a comunicar o “vizinho”. A vertente turística está assegurada. O património, os centros históricos serão cenário para espectáculos multidisciplinares. A ideia de caminho está subjacente a toda a programação, o movimento, a ligação, o percurso.

O Castelo de Almourol servirá de cenário para o Baile dos Candeeiros, da companhia Radar 360, em que bailarinos e bailarinas dançam com candeeiros iluminados e coloridos nas suas cabeças. O espetáculo repete-se na Praça Salgueiro Maia, no Entroncamento.

Deixar Lastro

Uma outra vertente, nunca menos importante, prende-se com a capacitação do tecido regional, das pessoas que habitam no e vivem o Médio Tejo. Assim, a rede funcionará numa lógica de comunhão intermunicipal de intervenientes. Os percursos são base fundamental do processo do Caminhos com artistas a interagir com as comunidades locais. Exemplo desta lógica são as intervenções de Aldara Bizarro já em abril. A renomada coreógrafa vai trabalhar com bailarinos e bailarinas amadores, sejam de ranchos folclóricos, danças de salão, entre outros, de cada um dos concelhos intervenientes dos Caminhos do Ferro. Aldara Bizarro propõe o projecto “Andar” que reunirá 10 participantes de cada um dos concelhos dos Caminhos do Ferro (Abrantes, Entroncamento, Mação, Vila Nova da Barquinha e Tomar). No total, 50 participantes ensaiarão o espectáculo de dança e exibirão em Abril. O espectáculo será depois reposto em Julho, nos Caminhos da Água.

Aldara

O Projeto Caminhos é um caminho a ser percorrido por todos, população local, turistas, municípios, e CIM Médio Tejo. Não é um festival, não é uma mostra, é um projeto para uma região, um projeto cultural e artístico que deseja deixar lastro.

O Comissariado Cultural da CIM Médio Tejo é composto por Luís Ferreira (Diretor do Festival Bons Sons e do 23 Milhas de Ílhavo), Elisabete Paiva (Diretora do Festival Materiais Diversos) e Ricardo Alves (Diretor do Jornal NA). A CIM Médio Tejo é composta por Abrantes, Alcanena, Constância, Mação, Vila Nova da Barquinha, Entroncamento, Ourém, Tomar, Ferreira do Zêzere, Vila de Rei, Sertã, Sardoal e Torres Novas.

 

 

Festival BONS SONS’16: Ainda há bilhetes a preço reduzido para um dos melhores festivais de Portugal

O Festival Bons Sons realiza-se de 12 a 15 Agosto e os passes para os quatro dias a apenas 25 euros ainda se encontram disponíveis mas por pouco tempo, apenas até ao final de Abril. A edição de 2016 do Bons Sons, cujo epicentro é na aldeia de Cem Soldos, Tomar, promete ser uma das mais concorridas de sempre. Em 2015 mais de 40 mil pessoas viveram a aldeia.

A caneca de alumínio do BONS SONS estará incluída nos preços de MAIO/JUNHO (32€) e JULHO/AGOSTO (38€). “Um contributo para reduzir a produção de resíduos e fortalecer a consciência ecológica do festival.”

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Política: Deixar Tomar atrás e para trás

Polémicas políticas em Tomar não são novidade mas o ridículo apoderou-se da autarquia. O à vontade com que decisões meramente políticas são tomadas, a falta de cuidado e resguardo, estão a deixar Anabela Freitas à deriva. 1% é 1%

Em tempos idos a expressão “Deixar Tomar Atrás” era um portuguesismo tão tradicional na região como os piropos sexistas que agora são criminalizados. Qualquer pessoa que pela região passasse, fosse para norte, sul, este ou oeste, passava pela cidade do Nabão e, efectivamente, deixava a cidade atrás. É claro que a expressão corriqueira e sem gosto tinha uso após umas minis ou uns copos de vinho e era dita entre homens másculos que, no entanto, se revelavam após o álcool lhes subir à cabeça. E o que tem isto a ver com o que se passa na Câmara Municipal de Tomar actualmente? Bom, os recentes acontecimentos deixam Tomar atrás: nas suas prioridades, na sua importância estratégica, na redução da cidade a um mero circo de incríveis histórias que em pleno 2016 deviam dar lugar a manifestações de repúdio dos cidadãos. O que até tem acontecido, mas já poucos acreditam na justiça e na fiabilidade da política.

Anabela Feritas DNFoto DN

Ora, vamos por partes. Anabela Freitas (PS) é eleita presidente da autarquia em 2013. Uma vitória algo surpreendente com 27,55% dos votos contra o candidato do PSD (26,14%) dadas as projecções da altura. Mas até aí Tomar faz notar a sua coerência. Carlos Carrão, que precedeu à agora líder socialista, foi o segundo “suplente” utilizado dos laranjas substituindo Fernando Corvêlo de Sousa, que em 2012 suspendeu o seu mandato. Dívidas e outras polémicas, marcaram a curta passagem de Carrão, cerca de ano e meio, pela liderança da autarquia. Mas no “jogo” dos social democratas a primeira substituição foi de Fernando Corvêlo de Sousa por António Paiva, este último presidente da autarquia até 2008, altura em que saiu para ocupar cargo na CCDR – Centro.

A cidade que já foi “capital” do Médio Tejo (apesar de ser nela que está actualmente instalada a sede da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo) voltou a sentir as agruras da política com Anabela Freitas. Ora vejamos: após a vitória tangencial nas eleições de Setembro de 2013, Anabela Freitas, do alto da segurança que pouco mais de 1% que as eleições lhe conferiam, decidiu apontar Luís Ferreira como seu chefe de gabinete. O que terá de anormal esta situação? Nada, não fosse Luís Ferreira o seu companheiro afectivo. Se o objectivo era agitar as águas do Nabão, a socialista conseguiu-o.

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A oposição considerou a nomeação uma afronta e desde então não descansou. Ataques foram feitos à personalidade, ao profissionalismo e ao pudor (falta dele) do casal presidencial. Se é um facto que situações destas são comuns neste nosso país de políticos de carreira, também é um facto que é por isso que estamos onde estamos, e não  é geograficamente. E Tomar talvez devesse questionar-se sobre o porquê da sua gradual perda de importância a nível regional e até nacional, salvando-se o Turismo e a vida estudantil (esta última com algum exagero).

Se não bastasse, o início do ano de 2016 tem sido tremendo em vendavais de mudanças naquela autarquia. Luís Ferreira, no que muitos julgaram ser um assomo de lucidez, renunciou ao cargo de chefe de gabinete. Quiçá cansado de polémicas, algumas por si criadas no sempre venerável Facebook, em que tantos e tantas regurgitam opiniões profundas, o companheiro de Freitas e seu braço direito político saiu pelo seu próprio pé. Há quem diga que Luís Ferreira tenha chegado a um ponto de não retorno e que se tornou um incómodo demasiado grande para a sua presidente e companheira. A verdade é que saiu e tornou público, esta segunda-feira, o seu pedido de demissão. A partir de 1 de Janeiro já não é chefe de gabinete e é substituído pelo seu “amigo” Virgílio Saraiva de Matos. Mas não se vai embora e deixar Tomar atrás. Fica como deputado municipal e promete “uma mão forte para ajudar a partir a espinha à direita”… Bonito, diga-se.

Mas o Facebook tem destas coisas, às vezes é traiçoeiro (quase sempre). Na cronologia do ex-chefe de gabinete surge a mudança de estado profissional. Luís Ferreira é desde dia 1 de Janeiro, lê-se na sua página, técnico de informática da autarquia. O vereador da CDU, Bruno Graça, revelou na reunião de câmara de 4 de Janeiro que o ex-chefe de gabinete da presidente da Câmara de Tomar, Luís Ferreira, foi admitido para o quadro do município como técnico de informática.

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Rei deposto príncipe posto. “Não assinei despacho de nenhum concurso. Ainda estão a decorrer os processos de audiência das reclamações”, adiantou no dia 4 de Janeiro a presidente da autarquia, segundo avança o jornal Cidade de Tomar. Luís Ferreira, antes de ser nomeado chefe de gabinete era técnico de informática na Câmara de Alpiarça. Se o concurso ainda não está finalizado como pode Luís Ferreira, avança a Rádio Hertz, ter anunciado na sua página de facebook que já é técnico da camara desde 1 de Janeiro? Certamente terá informações privilegiadas.

Mas Tomar ainda teve mais para contar no início desta semana. Rui Serrano, que se “transferiu” de Abrantes, onde era vice-presidente da Câmara Municipal, deixando boa imagem na cidade, para concorrer como número dois de Anabela Freitas, entregou todos os pelouros que lhe estavam atribuídos, mantendo-se no executivo tomarense em regime de não permanência até ao final do mandato. Anabela Freitas nomeou então Hugo Cristóvão como o seu novo vice-presidente.

Entretanto a CDU, companheira de coligação do PS, e certamente cansada de tanta confusão, ameaça cada vez mais alto retirar a confiança e apoio à presidente. E tudo isto, com maior ou menor polémica, vai deixando Tomar para trás com os cidadãos do concelho, incrédulos mas estranhamente resignados a deixar Tomar atrás. Miguel Relvas, ilustre político tomarense, ainda não reagiu a estas polémicas, certamente entretido com as próprias.

Ricardo Alves

 

 

 

Crónica: As hortas de fogo e as florestas de chamas

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Dois bombeiros de Olivais e Portela conversam com o NA junto a um conjunto de pequenas pinheiras em Madeiras, concelho de Vila Nova da Barquinha. É terça feira, dia 7, 19h00. As pinheiras salvaram-se mas todos os cuidados são poucos. Outros bombeiros, da mesma corporação, tentam acalmar um sobreiro que teima em não descansar as labaredas. As poucas oliveiras que ali existem ainda fumegam e assim ficarão durante as próximas 48 horas. No fundo do pequeno vale, onde as pinheiras na encosta tentam sacudir as cinzas, o canavial ainda esperneia, com estalidos de guerra. Os dois bombeiros de Olivais e Portela contam que horas antes, de manhã, tinham falado de Abrantes e Constância e do fato de há algum tempo não terem notícias das chamas por aí. Horas depois eram chamados para ajudar os colegas, juntando-se aos cerca de 500 operacionais no terreno que combatiam as chamas ferozes que viajaram do concelho de Tomar, pululando de encosta em encosta ao sabor do forte vento.

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Há muito combustível para arder, basta começar”, dizia um dos bombeiros enquanto bebia de uma garrafa de leite. É cíclico, parecia querer dizer o outro bombeiro, de cara tapada com um lenço branco encardido. “Vai ser um Verão terrível”, finalizou cabisbaixo, antes de se juntar aos colegas que acalmavam o sobreiro. No fundo do pequeno vale encontram-se populares, que estiveram junto às pinheiras e um conjunto de imponentes eucaliptos que escaparam à fúria das chamas. Foram eles, cerca de quatro, que se mantiveram junto às pinheiras, perto de uma casa abandonada e que é há alguns anos “habitada” por um senhor peculiar, um ermita quase, que afugentaram as chamas e as impediram de galgar a encosta, quiçá saltando a estrada para uma zona de quintas e fazendas. Com pequenos ramos arrancados de oliveiras e das próprias pinheiras, os populares aguardaram por um bafejo menos enérgico do vento e atacaram as chamas que prosseguiam rasteiras. Ali se deteve, mas as chamas arrepiaram caminho por entre o vale, sentindo não serem desejadas daquele lado do monte.

Cerca de uma hora antes olhava-se o fumo na estrada que dá acesso a Limeiras. Os bombeiros e Guarda Nacional Republicana fecharam a estrada. A poucas dezenas de metros as chamas devoram tudo. O vento sopra forte, muito forte, e com laivos de soberano, rosna noutras direções, inconstante. Quando chega a um campo aberto, de mato alto e seco, o fogo ganha asas, velocidade. O vento antecipa-lhe os passos e muitas vezes se vê as chamas a aparecer dez, vinte metros mais à frente, como se uma corrida de velocidade se tratasse. Um habitante encontra-se no topo de um largo monte de terra e veste-se de branco. Não dá para vislumbrar o que é. Atrás de nós uma vizinha diz preocupada, “vai ver das abelhas!”. Pôs o capacete e máscara de apicultor e desapareceu por detrás do monte. O fogo lavrava a cem metros. Não se sabe se salvou as colmeias, mas não há vítimas mortais do fogo, “apenas” sete pessoas ficaram feridas, dois civis e cinco bombeiros.

Para trás ficou a aldeia de Portela, no concelho de Tomar, onde tudo começou por volta das 12h50. Em Vila Nova da Barquinha, mais tarde, soariam as sirenes, frenéticas. Um contato do NA com os Bombeiros Voluntários da vila fez saber o pior: “entrou agora no concelho, está no Cafuz!”. Três dias depois, o lugar está irreconhecível. Também as Limeiras, Constância e Montalvo. Depois da Portela, Tomar, o incêndio alastrou aos concelhos vizinhos de Vila Nova da Barquinha, Constância e Abrantes.

Os 500 operacionais apoiados por 147 viaturas e algumas máquinas de rasto e sete meios aéreos não tiveram mão as medir. Na noite de terça feira ainda o fogo se mantinha forte. A parte alta de Constância, junto às escolas e também aquela junto ao Centro de Ciência Viva e Quinta de Sta Bárbara, foi dizimada. Horas antes, pelas 17h00, as chamas chegaram ao concelho. Os bombeiros concentraram-se nas habitações, na salvaguarda das casas das pessoas, priorizando aquelas que são de primeira habitação. Em Tomar ardeu uma viatura de um “curioso”, que quis ver de bem perto as chamas e não contou com o bafejo destemido do vento. Outras duas terão ardido, pelas mesmas razões.

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Na noite de terça-feira, Constância, a vila poema, parecia em estado de sítio. Coberta de um fumo espesso e “adornada” pelas luzes das viaturas de socorro que repousavam nas suas ruas. As chamas viam-se ora fortes, ora calmas, mas deixavam de se ver. Do outro lado do rio, a sul, são avistadas mais chamas, prontamente combatidas pelos bombeiros. A A23 está cortada, a ponte que liga os concelhos de Vila Nova da Barquinha e Constância, para a vila, também já esteve cortada, bem como a A13. Ninguém passa pelas estradas que dão acesso a Castelo do Bode, por Constância, e a Madeiras e Limeiras, pela Barquinha. O incêndio “passeia” altivo e gozão por cima do seu eterno inimigo, a água, do Zêzere, fazendo pouco caso dos homens e mulheres que abnegadamente nos tentam proteger dele.

A noite trouxe, no entanto, alguma calma. Mas os rostos dos bombeiros não tranquilizam quem se detém a olhar mais de dois segundos para eles. A noite será longa. Os populares fazem o rescaldo visual, caravanas de curiosos “passeiam” pelos escombros de janelas fechadas e ar condicionado ligado. No topo de Constância tudo fumega. O caminho até ao Centro de Ciência Viva é desolador e assemelha-se a uma procissão, com pequenos focos de chamas que devoram lentamente as estacas colocadas ao longo da estrada.

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Quarta-feira, dia 8, acorda com o mesmo cheiro. A tensão é menor mas teme-se o aumento do calor com o desenrolar do dia. Há bombeiros que dormem nas paragens de autocarro de Limeiras, debaixo de árvores que escaparam às chamas, nas sombras desenhadas pelas casas antigas de Constância. De manhã, em Madeiras, houve um de vários reacendimentos. A besta queria mais, nomeadamente as tenras e jovens pinheiras. Os Bombeiros, em alerta, acorreram prontamente e placaram a investida, quiçá planeada de dentro do sobreiro.

Era hora de almoço – se é que nestas alturas se pode marcar hora de almoço – e os bombeiros acalmam o estômago com a fruta, as bebidas e demais alimentos que os populares assolados lhes dão. Pouco depois das 14h00, uma coluna de fumo irrompe pelo horizonte. O NA está em Constância, junto ao Zêzere. Madeiras arde de novo, pensamos, um reacendimento, lamentamos.

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As sirenes voltam a soar e os motores aceleram pela ponte. Seguimos o seu rasto até junto da ponte que atravessa a A23, em Madeiras. O fogo alastra no que parecem ser os terrenos dentro do perímetro da Base Aérea de Tancos, junto à pista. O NA segue para a reta que, normalmente, alberga os curiosos dos aviões. Desta vez as razões para a concentração de viaturas e populares é outra. O fogo está dentro da base e, incrivelmente, saltou o asfalto da pista e queima pequenos arbustos a cinquenta metros da cerca. Viajou numa fagulha e ali aterrou e se instalou, a cerca de 700 metros de onde começou a arder. Os presidentes da junta de Freguesia de Praia do Ribatejo e da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, olham incrédulos e preocupados. Por cima das cabeças voam cinzas, pedaços de árvores, uns ainda em brasa, outros à espera de pousar e serem apenas pó.

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Perguntamos se foi um reacendimento ou se foi uma projeção do incêndio de Tomar. “Não”, responde prontamente o proprietário do Restaurante “O Almourol”, “foi um camião que se incendiou na A23 e passou as chamas”. Não bastava o “outro” indomável. Os populares fala no paiol e relembram uma grande explosão há muitos anos atrás, que partiu vidros de janelas dos habitantes de Madeiras e Fonte Santa, e que levou mesmo à evacuação por precaução da população residente. Não valia a pena semear o pânico. Os militares avisariam se tal fosse necessário. Não foi.

O fumo negro permanece em maioria. O branco dá ares da sua graça muito intermitentemente. Mais viaturas acorrem ao local, por estradas sinuosas, de terra e “calhaus”, acercando-se do local à lenta velocidade permitida. Os militares dentro da Base tentam que as chamas não ataquem a antiga Base Aérea 3. O trabalho prosseguiria durante a tarde com todos os cuidados a serem poucos. Um dia depois, na quinta feira, dia 9, aconteceria novo reacendimento, na junto à localidade de Sobrado, no limiar dos concelhos de Tomar e Vila Nova da Barquinha. Entretanto, tudo se acalmou.

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Durante três dias viveu-se um pesadelo. As populações viram as suas ruas e estradas adornadas de cinzento, num ápice. Para muitos que moram nos locais afetados, foi-se parte da subsistência, uma pequena horta aqui, uma fiada de eucaliptos ali, sobreiros, árvores de fruto, entre outros. A incredulidade juntou-se à impotência. No Cafuz, Matos e Limeiras, o cenário outrora verdejante, a vegetação que dava uma imagem de beleza às encostas que só acabam no Rio Zêzere, foi substituída pelo negro. Em Cafuz, uma equipa de reportagem da TVI montou câmera numa curva da estrada, no meio de um dos vales assolados. O pivot, de costas para a paisagem e para o curso do Zêzere, entrou em direto. Munido de um papel com anotações, lá gravou a sua peça para enviar para a regie do canal.

Leu, gravou, enviou. Não precisava de ler nada, apenas ficar parado em frente à objetiva e deixar que o cinzento a perder de vista falasse por si. Três dias para esquecer que é bom que não sejam esquecidos. O verão ainda não vai alto mas o inferno já desceu à terra. Todo o cuidado é pouco.

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Texto e Fotos: Ricardo Alves

Tomar: Festa dos Tabuleiros prestes a começar

A inauguração de três exposições marca o primeiro dia da Festa dos Tabuleiros, amanhã, sábado. Logo às 15 horas, na Casa Manuel Guimarães, abre a mostra “Banco Tomar by TemaHome”, que parte da criação de um banco portátil dedicado à Festa por uma empresa de mobiliário do concelho.

Uma hora depois, na Casa Vieira Guimarães, onde está sedeada a Comissão da Festa, é a vez das “”Janelas de Tomar”, aguarelas de José Inácio Costa Rosa sobre uma das marcas identitárias da cidade.

Na Casa dos Cubos, às 17 horas, inaugura “Figura e Retrato”, uma exposição de obras de Maria de Lurdes de Mello e Castro, uma das pintoras mais relevantes do século XX tomarense.
Também os produtos locais do concelho estarão em destaque, com a Mostra de Sabores de Tomar. Trata-se de uma iniciativa do Gabinete de Economia Local do Município que apresentará ao público o melhor do que se produz por terras nabantinas nas áreas do mel, vinho, fumados e azeite. Esta Mostra, que abrirá logo na sexta-feira à noite, tem ainda a particularidade de permitir aos tomarenses e aos visitantes o regresso ao espaço da Levada (antigo complexo industrial junto ao rio), após as obras ali realizadas. Visitável dias 4, 5, 9, 10 e 11 de julho, das 16 às 23 horas.
Além disto, haverá ainda muita animação a decorrer, com propostas para todos os gostos. Às 16 horas, no Cine-Teatro Paraíso, o Festival de Música Polifónica da Canto Firme com um “Encontro de Coros Infantis”.
Às 20 horas, abertura do Arraial no Jardim da Várzea Pequena e Zona Desportiva.

Às 21h30, começa no Mouchão Parque o Festival Nacional de Folclore do Rancho “Os Camponeses” de Minjoelho, com a participação do agrupamento organizador e ainda dos da Gouxaria (Alcanena), Ereira (Coimbra), Boavista (Portalegre) e Paço de Sousa (Penafiel).

À mesma hora, noutro ponto da cidade, o Convento de S. Francisco, haverá animação de rua com “Mytho” pelo EspaçoZero Teatro.

Finalmente, a partir das 22h30, as Noites do Coreto, no Jardim da Várzea Pequena, acolhem The Peorth, DJ Superfly M Graça e DJ Paulino Coelho.