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VN BARQUINHA: Transporte a Pedido a partir de Maio

O projecto da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo é inovador e depois de uma fase de experiência piloto em Mação, em Janeiro de 2013, chega a Vila Nova da Barquinha, depois de implementado em Abrantes, Sardoal e Ourém. Aproximar as populações rurais, mas não só, aos serviços públicos é um dos objectivos

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A apresentação realizou-se no dia 3 de Março no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha (VNB) e serviu para esclarecer a população sobre a nova solução de mobilidade. O Transporte a Pedido, projecto desenvolvido pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), foca-se nas populações rurais, oriundas de zonas de baixa densidade populacional, e que a partir de Maio vai permitir a ligação entre Cafuz (Praia do Ribatejo) e a sede do concelho, passando por Tancos e tendo ainda dois percursos experimentais até à estação ferroviária do Entroncamento.

O transporte consiste na disponibilização de táxis e autocarros escolares em percursos de ida e volta com horários previamente definidos, no período da manhã, almoço e tarde. Para aceder ao serviço o utilizador terá de ligar antecipadamente para marcar a viagem e deslocar-se no dia da mesma aos locais de paragem.

Transporte Público

Um projecto “inovador”, assim o caracterizou Miguel Pombeiro, Secretário Executivo da CIMT, acrescentando que o Transporte a Pedido “se assemelha ao transporte público, com percursos, horários, paragens e tarifários definidos”. A diferença, explicou, “é que é necessária a pré-reserva por telefone”. Mas há mais diferenças, segundo os dados disponibilizados por Miguel Pombeiro, “o transporte a pedido permite uma redução de 95% dos quilómetros percorridos pelo transporte regular”.

Efectivamente, se não houver pré reservas as viaturas não se deslocam às paragens definidas. As pré-reservas podem ser feitas através do número de telefone 800 209 226 (gratuito) e os preços foram estabelecidos com base em valores padrão correspondentes a 1,5 da tarifa de bordo dos autocarros e a divisão da despesa de um táxi por quatro passageiros. As viagens custam €1,60 se não excederem os cinco quilómetros, €2,80 entre esta distância e os 15 quilómetros e €4,00 entre os 15 e os 25 quilómetros.

Para quem utilize o serviço de forma regular existe a possibilidade de aquisição de um pacote de 10 bilhetes com desconto de 30% no total.

Números do projecto

O projecto é simples, apesar de parecer o contrário. Na apresentação, que contou também com Fernando Freire, presidente da Câmara de VNB e Olinda Pereira, consultora da TIS – Consultores em Transportes Inovação e Sistemas, foi realçado que uma das dificuldades iniciais foi a “desconfiança das populações”, numa altura em que é raro serem apresentados serviços como este, “que efectivamente ajudam as populações”.

Mas segundo Olinda Pereira, os dados são esclarecedores. “Temos elevados níveis de satisfação”, assinalando que “os lugares mais pequenos geram mais procura” e que 67% das deslocações são por motivos de saúde e 72% das pessoas que utilizaram o serviço fizeram-no mais que uma vez”.
Olinda Pereira detalhou ainda que o circuito de VNB foi “desenhado para integrar os serviços já existentes do Transporte Escolar” e que tem início em Cafuz, passa pela sede de freguesia, Tancos, VNB, zonas residenciais de Moita do Norte e Atalaia e, finalmente, Estação de Caminhos de ferro do Entroncamento”, esta última paragem é articulado com os horários dos comboios Intercidades.

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Divulgação

Fernando Freire apontou a necessidade de se proceder à divulgação do projecto junto das populações e que esse trabalho, antes do arranque em Maio, será fundamental para a implementação com sucesso do mesmo. “Em VNB pensámos na zona rural da freguesia de Praia do Ribatejo, nomeadamente Cafuz, Madeiras e Limeiras, para permitir a deslocação aos serviços da vila, como é o caso da Loja do Cidadão, Centro de Saúde e outros serviços públicos”.

Texto: R.Alves
Foto: P. Basso

Médio Tejo: Autarcas criticam o facto de eventos como o da estância de wakeboard não caberem no Portugal 2020

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O mote foi dado por Maria do Céu Albuquerque (PS) durante a apresentação do projecto na BTL. Perante a presença de deputados e demais representantes políticos, a presidente da CIMT e do Município de Abrantes não deixou escapar a oportunidade para criticar o facto de o quadro comunitário que se aproxima, Portugal 2020, não prever o financiamento de eventos desportivos. “Mais uma vez serão os municípios a suportar os encargos, com recursos cada vez mais pequenos, não se percebe como é que iniciativas como esta não sejam consideradas pelo Portugal 2020 para financiamento”, atirou a autarca, deixando o “desafio” ao “governo da nação para que se debruce sobre a matéria”. Posição igualmente critica teve Pedro Machado, Presidente da Turismo Centro de Portugal, “se a secretaria de estado inscrever estes eventos no quadro de apoio estará a contribuir para a valorização do território” e prometeu que a entidade que preside “tudo fará para que seja ainda mais ouvida” e que ainda haja possibilidade de emendar a “injustiça”. “No Médio Tejo temos Fátima, temos fé”, finalizou Pedro Machado.

Ao NA, Miguel Pombeiro, Secretário Executivo da CIMT, elogiou a posição da autarca no contexto da BTL, “o próximo quadro comunitário de apoio ainda não tem os regulamentos aprovados e o que se diz é que os eventos serão uma prioridade negativa, ou seja, que não é financiável”. No entanto, Pombeiro avisou que é necessária uma distinção, “há eventos que são estruturantes do ponto de vista do território e que o retorno é de tal forma importante que uma comparticipação de fundos comunitários tem um efeito multiplicador no território”, e congratulou-se com o projecto na região, “num país com tendência para a litoralização dos eventos”.

Vasco Estrela (PSD), presidente da Câmara de Mação, um dos quatro parceiros do projecto, aplaudiu a tomada de posição da presidente da CIMT e apesar de perceber “que o país não possa apoiar todos os eventos, tem de aperceber-se que não é tudo igual. Não há maior injustiça do que tratar por igual o que é diferente. Espero eu que ainda se possam salvaguardar este tipo de eventos. Não me parece que seja a melhor forma de ver as coisas”. Vasco estrela acredita que numa região, a do Médio Tejo, em que onze concelhos estão a perder população de forma assustadora, este tipo de projectos pode “contrariar esta dinâmica infeliz na nossa região”. “Sabemos que não é a solução para os nossos problemas mas ajuda à promoção da região, é bom para a auto-estima, cria riqueza, pode ajudar a criar novos negócios, novas emoções, novas visões de futuro e fixar pessoas”, concluiu.