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Constância: Um passo de gigante à espera de aprovação

Com pompa e circunstância mas ainda sem aprovação para financiamento europeu, foi assim apresentado o projecto Villa Tejo Nature & Spa Hotel, unidade hoteleira de quatro estrelas. Entre optimismo e coragem, ilusão e trabalho já feito, Constância sustém agora a respiração à espera de luz verde por parte das instituições que gerem os fundos comunitários do Portugal 2020

Villa Tejo (1)

Tudo correu de feição no dia 13 de Outubro, no Centro Náutico de Constância. Sala cheia, ilustres convidados, comunicação social, população e os promotores entusiasmados. Houve um concerto de boas vindas, uma agradável recepção com produtos regionais e João Rosa, empresário que promove o projecto, com a emoção no discurso e a voz embargada perante um futuro risonho ao virar da esquina. Três milhões de euros é quanto custará o projecto turístico que responde a anseios antigos do concelho e que mudará a sua face.

Mas o problema reside no facto de o mesmo ainda não ter sido aprovado para financiamento europeu. Foi isso que ficou no ar aquando da intervenção de Júlia Amorim na cerimónia. A presidente da Câmara Municipal de Constância (CMC) advogou a importância do empreendimento para o concelho e região e deixou uma mensagem, “se este investimento não der para ser aprovado (no âmbito do programa Portugal 2020) é porque algo não está bem. De todo o modo move-nos a esperança e o acreditar que haverá investimento e apoio”.

“Nesta altura, em que uma batalha já está ganha, em que um investidor rodeado de uma equipa competente fez um projecto, acreditou nele e o submeteu para obtenção de apoio para financiamento comunitário, é possível ter aqui a apresentação de um projecto de investimento bom para o concelho e para a região, uma lacuna que existe. Relevando o facto de o novo quadro comunitário de apoio disponibilizar “muitos milhões de euros para os privados”, a autarca lembrou o trabalho desenvolvido pela autarquia nas últimas décadas, dizendo que nada é por “acaso”.

Miguel Pombeiro, secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), já havia salientado o investimento público realizado por António Mendes, ex-presidente da CMC e actual presidente da Assembleia Municipal. “Constância foi pioneira com todo o trabalho feito na requalificação das zonas ribeirinhas”. “Houve um pilar sempre um pouco mais fraco que foi o do investimento privado. Esta ambição que está aqui apresentada é uma decorrência de todo um conjunto de investimentos públicos feitos nas zonas ribeirinhas”, avaliou Pombeiro.

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Projecto hoteleiro

Um hotel de luxo

O projecto nascerá junto à rotunda à saída da vila, em direcção a Montalvo e junto à A23. Contempla 28 quartos duplos, 10 suites, 5 suites premium com jacuzzi na varanda, SPA com piscina interior, jacuzzi, banho turco, sala de relaxamento e massagem com duche, restaurante, bar e um auditório. João Rosa, da empresa Vila Poema, Sociedade de Gestão Hoteleira, Lda, e que gere há quatro anos a Residencial João Chagas, contou que o projecto é um “sonho pessoal e da família”. “Há cerca de cinco anos fomos desafiados pela CMC para a criação da casa João Chagas, reposicionando-a. Para aumentar o volume de negócios tornámos a empresa num ponto de referência no turismo”, afirmou.

Mas o empresário observava várias lacunas na região e por isso decidiu avançar. Para isso reuniu uma equipa jovem, nomeadamente do gabinete de arquitectura “Classe A+”, entre outros. João Rosa disse ainda que aposta no investimento de 5 milhões de euros no concelho, durante os próximos 15 anos, elogiando o concelho pela qualidade de vida, pelo património e outras valências que a vila poema oferece, ele que é natural do Entroncamento.

Para já, o Villa Tejo Nature & Spa Hotel prevê a criação de 26 postos de trabalho directos e entrada em funcionamento na primavera de 2017. Após a sua conclusão oferecerá um serviço de excelência e de natureza, com cada um dos quartos com vista para o Rio Tejo.

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João Rosa perante Miguel Pombeiro e Júlia Amorim

Críticas e apelos

Júlia Amorim quebrou o protocolo e teceu críticas à acção da Turismo do Centro. “Não nos tratam muito bem. Não é fácil o Médio Tejo impor-se na região de Turismo do Centro”, atirou a autarca, e finalizou dizendo que o projecto apresentado  “só não será apoiado se não tiverem olhos na cara”. Amorim deixou ainda um apelo a todos os presentes, “não é por acaso que convidámos quem convidámos, nada foi feito ao acaso, levam convosco a missão de tudo fazerem para que este investimento seja possível”, dirigindo-se aos presentes.

Também Miguel Pombeiro falou numa “referência expressa (do projecto) aos rios Tejo e Zêzere e isto mostra que são recursos endógenos únicos. Muito mal seria se o Tejo e o Zêzere não fossem sublinhados no próximo quadro comunitário”.

Texto e Fotos: Ricardo Alves

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Prémios NA: O Médio Tejo passou por aqui

A primeira edição dos Prémios NA realizou-se no dia 12 de Junho, no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, e premiou quem e o que melhor se faz no Médio Tejo.
Fel, banda de Abrantes, atuou no evento e deixou a plateia curiosa com a sua qualidade.
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Constância: Entrevista a Júlia Amorim, Presidente da Câmara

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A presidente da Câmara de Constância fala sobre
as Festas de N.ª Sra. da Boa Viagem (NSBV), do seu
passado, presente e futuro, e aborda outras questões,
mais sociais, como o papel da mulher na sociedade

Depois de uma edição de sucesso em 2014, as festas regressam, que perspectivas para o futuro?
De acordo com cada executivo camarário, pode haver sempre motivo de inovação nas festas, mas há aspectos que não se podem alterar, como a segunda-feira da Boa Viagem. Têm um formato religioso com rituais – missa solene seguida de procissão e a bênção das viaturas e dos barcos – que é para manter. Devemos fazer um grande esforço para continuar com a sensibilização e apelar à participação do maior número possível de embarcações, projectando o concelho e o turismo, com efeitos laterais no desenvolvimento económico. Cada vez há mais dificuldades em ter embarcações pois há custos adicionais para as autarquias e para todos os que vêm em nome individual. A nossa grande aposta tem sido com as autarquias, os concelhos ribeirinhos, é algo que se faz com muito tempo de antecedência, muitos telefonemas, muita persistência. Esse resultado tem vindo a ser alcançado.
E na parte, digamos, profana, nas festas do concelho?
Na parte de natureza cultural, desportiva, recreativa e de envolvimento da população, uma das nossas metas é continuar a envolver o mais possível as associações e colectividades do concelho e a população em geral. Tem havido um esforço para dar resposta a todas as associações que querem participar na festa (tasquinhas, quiosques, venda de bolos), com equilíbrio e equidade. Às vezes não é fácil de gerir, pois há interesses diferentes. A ideia de cada um é ganhar o mais possível para investir nas suas actividades. Este ano vamos manter a adesão. E mais, o centro histórico tem cada vez menos pessoas e as que lá vivem têm alguma idade pelo que aquela tradição mais recente de embelezar as ruas tem vindo a decair. Não digo em qualidade mas em quantidade. Este ano fez-se um desafio às associações e vamos ter 20 becos e ruas ornamentados e isso é um trabalho que temos planeado em termos de futuro, uma outra forma de atractividade. Vamos ver como resulta e se o trabalho a que as associações se comprometeram resultará numa imagem mais atractiva.
E há uma oferta cultural e desportiva intensa durante os dias de festa…
O nosso objectivo é, por um lado, ter uma época de oferta cultural de que todos possam usufruir gratuitamente, tendo em conta as disponibilidades financeiras da autarquia, e creio que há sempre qualidade para todos os públicos. Mas também há a promoção da nossa gastronomia, o peixe do rio e as migas, quer as que se faziam na margem sul – carvoeiras – como as de Montalvo, e por outro lado a promoção do nosso artesanato. Este ano vamos ter os artesãos do concelho integrados na mostra de artesanato nacional. As coisas têm que ir melhorando de uns anos para os outros em termos de avaliação e por isso concluímos que devia haver mais animação na praça. Nas linhas gerais para o futuro é realmente uma aposta de afirmação da Festa de NSBV, não só como interesse religioso mas como forma de afirmação do concelho e uma grande aposta no envolvimento das pessoas e instituições do concelho.
O trabalho local está a ser feito, e depois, o que mais pode ser feito?
Nós estamos na zona centro, uma zona muito diversa. Apesar da temática ligada aos percursos da fé ser um dos eixos da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal (RTC), creio que ainda não entenderam muito bem que as festas de NSBV, enquanto evento que constitui uma das mais autênticas e representativas manifestações de fé e de cultura popular do nosso país, tem de ser um marco de interesse relevante e “agarrado” por aquela entidade, fazendo parte de um roteiro religioso, no qual Fátima está à cabeça. Mas não podemos descurar a festa de NSBV e a Semana Santa no Sardoal.

“A Região Turismo do Centro ainda não entendeu muito bem que as festas de NSBV têm de ser um marco de interesse turístico relevante e “agarrado” por aquela entidade (…)„

Parte da tradição mais simbólica e atractiva das festas está associada aos antigos, à, à religiosidade. Como vê a perda de fiéis, a questão demográfica, o desinteresse dos mais jovens? Põe em causa o futuro dos festejos?
Essa é uma boa pergunta mas tem várias respostas. Uma tem que ver com a afirmação da prática religiosa: há um grande trabalho a desenvolver pela igreja. A paróquia nunca deixou de organizar as cerimónias religiosas. É evidente que a câmara e a junta de freguesia de Constância têm aqui um suporte financeiro e logístico. Em meu entender, o que se coloca aqui tem que ver com o seguinte: as pessoas vêm para ver a procissão e as bênçãos por turismo ou por fé? Penso que é com sentimentos de fé que se faz a procissão e há outros que vêm para assistir. E ainda se consegue ter um terceiro tipo de pessoas, que não têm uma prática religiosa, católica regular, mas que acabam por se sentir tocados por aquele envolvimento. Na questão demográfica, nós já tivemos menos embarcações no rio e eu acho que isto tem de ser um trabalho de cada concelho. É uma incógnita, mas eu tenho esperança! Se os nossos antigos têm morrido mas temos mais barcos a participar nas festas, tenho esperança que tal se irá consolidar.

Na apresentação das festas disse que num mundo cada vez mais individualista Constância podia ser um nicho de mercado, em contraciclo, porquê?
Apesar de tudo, entendo que no nosso concelho, neste momento, nos unimos todos em torno da festa. E quem nos visita acaba sempre por se sentir tocado; se for um cidadão atento, apercebe-se do ambiente de boa disposição, em que todos se conhecem. Lembro-me agora da associação Aldeiense, os grupos de jovens, alguns que já não vivem no concelho, e que se juntam um dia para jantar. Nos escuteiros, os próprios pais a trabalhar e as famílias que lá vão… Há um grande número de pessoas que gostam das migas e do peixe frito, mas é frequente ver famílias que tradicionalmente almoçavam em casa no dia de Páscoa e que escolhem uma das tasquinhas que serve borrego. Vive-se um ambiente bastante comunitário que pode ser a quebra de ritmos de vida, a que o concelho também não é imune, mas que acaba por ser uma característica da maioria das pessoas. Podem encontrar aqui um outro ambiente.
Outro dos objectivos é mostrar a vila aos visitantes, por isso e não só alteraram o percurso da tradicional caminhada?
Creio que o percurso da caminhada do ano passado era muito mais atractivo em termos desportivos (à beira do rio e plano). Mas a alteração faz-se com dois objectivos: os atletas da corrida queixavam-se por encontrarem as pessoas que iam na caminhada e nós queremos melhores condições para a prova principal; e por outro lado, passando o percurso da caminhada pelo centro histórico e parte nova da vila, temos perspectivas que as pessoas se identifiquem com o local. Há muitas urbanizações que ainda têm lotes para vender e sabemos que os custos agora são mais baixos. Conhecendo o concelho pode haver alguma forma de atrair mais pessoas, não ficando apenas centradas na parte baixa da vila.
Nos concelhos pequenos a cada vez maior responsabilização das autarquias e o menor financiamento pesam ainda mais?
Vivemos momentos em que os concelhos não estão a ser bem tratados, e os autarcas também não. Sejam os grandes ou os pequenos. Um dos aspectos é a própria responsabilização por determinados actos, até em termos administrativos, em que podemos ser levados a tribunal, por exemplo. É algo que que a Associação Nacional dos Municípios devia discutir mais, inclusivamente criar um seguro para os autarcas. O Tribunal de Contas tem sido muito insistente nas suas deliberações e pareceres técnicos sobre os quais os autarcas têm de emitir o despacho. Nós às vezes costumamos dizer a brincar que os autarcas têm de ser técnicos e têm que saber tudo. Não podemos deixar de ter conhecimento para poder despachar nos termos legais, responsabilidades que alguns membros do governo não têm. Têm-se feito algumas inspecções em que se imputam aos eleitos algumas falhas e os responsabilizam, quando, no fundo, nós estamos aqui é para fazer mais trabalho de rua do que de gabinete.
Já referiu e criticou que a lei das finanças locais não está a ser respeitada?
Continua a não ser cumprida. Os municípios deviam ter mais receitas. Se formos ver o volume das receitas que recebemos do Orçamento de Estado (OE), o nível da receita corrente aumenta mas a receita de capital por via do OE diminui. No seu todo, a coisa não está equilibrada. E podemos somar a isso os instrumentos de natureza legal que nos atrofiam o funcionamento, as questões relacionadas com a necessidade de mais pessoal para responder a novas responsabilidades, não podendo proceder à contratação – não é o nosso caso –, e a questão dos fundos comunitários que se avizinham, com os municípios mais pequenos a não poderem ter a componente nacional para fazer face a algumas oportunidades. Depois, a própria descentralização de competências. A administração central acha que estamos mais próximos dos cidadãos e que podemos fazer um melhor trabalho que eles com menos ou iguais meios, mas nós já estamos a fazer muita coisa que ultrapassa as nossas competências, e sempre sem autonomia, acabando por sermos meros executantes. Há aqui um conjunto de situações que acho que deviam passar pela regionalização, e uma vez que não a há… O que há é centralização do poder, uma que não é séria.
Em algum momento quando esteve em Belém, a acompanhar a condecoração ao ex-presidente António Mendes, imaginou passar algumas críticas ao Presidente da República (PR), imaginou-se a quebrar o protocolo?
(risos) Bom, eu sou uma pessoa sincera e vou sê-lo. Foi um momento emotivo e naquela altura não pensei no que o PR tem feito bem ou mal. Estava centrada no que estava a acontecer, na grande estima pessoal que tenho por António Mendes e na honra para o concelho. A Presidência entendeu distinguir alguns autarcas e na altura da cerimónia era nisso que estava centrada e também me centrei no discurso que o PR fez, que foi o um discurso soft. O presidente Mendes, que foi incumbido de fazer um discurso em nome dos autarcas, fez um discurso interessante e conseguiu, apesar de alguma amizade e relacionamento próximo com o agora PR, dizer algumas coisas de forma elegante, afirmando a importância do poder local democrático do 25 de Abril e que o mesmo não está a ser cumprido. Eu não ia com espírito para pensar noutras coisas (risos).
Voltando às festas, as associações estão com força no concelho, ao longo do ano e não apenas nesta altura?
Eu sou daquelas pessoas que acha que o movimento associativo é rico. Às vezes temos reuniões com eles e queixam-se que os associados não vão à sede… Por exemplo, o caso do Estrela Verde, o presidente do clube queixa-se de que não há pessoas na sede e eu com o meu feitio disse-lhe que as pessoas agora já não precisam de ir lá para namorar ou ver televisão, fazem-no em casa. Os tempos mudaram. O Estrela Verde está a trabalhar bem na patinagem, com um grande envolvimento dos pais… No concelho, a análise que eu faço é que o movimento associativo no concelho é extraordinário, conseguimos ter todas as associações com direcção. Houve o caso de Malpique com a porta fechada durante seis anos mas houve um grupo de gente jovem que pegou e já vai na segunda direcção. Só em Malpique há três associações, e com ritmo. Em Montalvo, desde a Associação Humanitária, à Jica, à Banda Filarmónica e à Casa do Povo todas conseguem ter corpos sociais e todas têm uma actividade regular. Portanto, acho que o nosso movimento associativo está de parabéns e fazem um trabalho voluntário excelente e as palavras que tenho para eles é que devem estar orgulhosos do trabalho que fazem e que tentem ao mesmo tempo envolver jovens nas direcções para continuar a haver quem continue o seu trabalho.
Tem as Associações bem e tem agora também um sítio para cuidar dessas pessoas que já estiveram nas Associações, o lar de idosos de Santa Margarida, está satisfeita?
Estou satisfeita porque era uma resposta social que faltava não só no concelho mas na região, foi sempre o que eu disse mesmo quando me disseram na altura que não havia necessidade, que eram caprichos de autarcas. Satisfeita por três razões: porque a resposta social existe e não é só para os idosos, é para as famílias que não têm possibilidade de cuidar dos idosos da maneira como eles gostavam e como eles merecem; porque se conseguiu pensar e decidir rapidamente que valia a pena arriscar e num mês conseguimos fazer um projecto de arquitectura e a candidatura – conseguiu a misericórdia com o apoio da câmara, naturalmente. Por outro lado, sinto que é um lar familiar, que é o que me toca mais. Vejo que as pessoas estão perto da sua terra, num sítio arejado e com muita luz e vê-se que há ali uma proximidade, todos se conhecem, os que chegam, os familiares, os funcionários. Já entrei noutros lares em que não há uma proximidade tão grande em termos afectivos.
A resposta social é suficiente?
Há novos desafios. O facto de haver lista de espera leva-nos a concluir que o Lar da Misericórdia (Constância) necessita de se expandir e há uma forte possibilidade de virmos a resolver dois problemas: um é um edifício que era uma casa senhorial e está degradado e há um grande esforço da misericórdia em adquirir o espaço para aumentar e rentabilizar a capacidade de utentes. Ficamos com dois problemas resolvidos, o aumento na resposta, a sustentabilidade da Santa Casa e mais trabalhadores, e também ficamos com o espaço recuperado. Já está encaminhado, fizemos uma reunião com ambas as partes e tentámos criar pontos de união. Isso é uma boa notícia. E se há dois ou três anos entendia que em Montalvo o que era necessário passava por reforçar o Apoio Domiciliário e ter um centro de convívio para as pessoas, um espaço quentinho e confortável com uma animadora sócio cultural, eu hoje já não descarto a hipótese de avançar com uma candidatura de resposta de lar, tendo em conta a necessidade que se tem verificado.

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“As mulheres só se conseguem impôr pela competência numa empresa ou mesmo nos partidos. O que é que as mulheres podem fazer? Podem dar o exemplo, nem que se esmifrem todas, mas através do seu exemplo podem motivar outras.„

Como vê o papel da mulher na sociedade, as desigualdades que ainda permanecem, e de que forma é que se pode lutar contra isso?
Evoluiu-se muito a nível de legislação produzida após o 25 de Abril; e se for cumprida há aqui um grande avanço. Na prática tem-se evoluído em termos da participação das mulheres para além da vida familiar, mas é evidente que as desigualdades ainda existem. É muito mais difícil uma mulher chegar a um cargo de direcção, de maior protagonismo na política. Nas escolas, por exemplo, há uma maioria de professoras mas as direcções são maioritariamente compostas por homens. Nos salários (trabalho igual, salários diferentes) e mesmo a nível familiar há uma injustiça muito grande que é a falta de partilha das tarefas domésticas, que faz com que a mulher não tenha tanto tempo para si. Ainda há muita coisa por fazer, e não posso deixar de dizer que nesse trabalho, nós temos um peso histórico, como todos os países têm, de educação, do papel da mulher na sociedade e, portanto, estamos arreigados a isso. Acho que há um grande trabalho a fazer na educação e no próprio papel que a mulher ocupa na sociedade, em casa, na educação dos filhos. O facto de as mulheres trabalharem veio dar-lhes mais força porque a base essencial da liberdade tem a ver com a independência económica, e não estar subjugada ao marido para comprar comida ou comprar uns sapatos. É claro que muitas mulheres ao longo destes anos foram trabalhar mas, não vamos escamotear a verdade, foram trabalhar para ajudar a equilibrar o orçamento doméstico, o que dá muito jeito, e os homens nem se importaram muito. As mulheres só se conseguem impor pela competência numa empresa ou mesmo nos partidos. O que é que as mulheres podem fazer? Podem dar o exemplo, nem que se esmifrem todas, mas através do seu exemplo podem motivar outras. A luta pela igualdade deve ser dos homens e das mulheres e se a gente olhar para a Merkel… ela é um protótipo de homem na gestão, e muitas mulheres na gestão comportam-se exactamente como executivos, porque acham que não se conseguem impor por si e acham que têm de se impor formatadas pelo executivo homem.
Vou-lhe propor que faça um convite especial às mulheres para virem à festa.
Faço um apelo para que nestes dias das festas do concelho as mulheres do nosso concelho e da região possam vir e ter algum tempo de lazer, usufruindo de tudo aquilo que a nível cultural acontece neste espaço da festa; com o ambiente que aqui se vive, poderão sair revigoradas para a semana de trabalho que se segue.―

Texto e Fotos: Ricardo Alves