Shannon Starling: “Portugal é perfeito para se tornar uma referência”

O presidente da World Wakeboard Association, Shannon Starling, contou ao NA como escolheu Portugal para receber o Campeonato do Mundo mas quer acima de tudo que Castelo de Bode se torne referência do desporto na Europa

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Estava relutante em trazer uma tão grande competição para Portugal. O que o fez mudar de ideia?

A localização. É uma explicação mais alongada, mas quando olhamos para a Europa, para os desportos náuticos e wakeboard, há dificuldades na sua realização devido a algumas restrições e os custos elevados. Quando vimos a Portugal pensamos no país mas também pensamos em Europa. Quando aterrei aqui e comecei a analisar a área, apercebi-me que os lagos, os rios, a comida e as pessoas são perfeitos, mas temos de olhar para a economia. E o nosso trabalho é fazer crescer o desporto. Quando procurei um local na Europa para trazer um evento deste tamanho, que vai trazer muita publicidade, quisemos fazê-lo num local que se tornasse um destino na Europa, num continente que a norte está a ficar mais pequeno no sentido da prática do wakeboard.

Pesou muito o facto de Portugal ter custos mais reduzidos?

Sim. As acessibilidades e custos. Por isso é que tudo mudou. De Portugal como anfitrião de um evento pontual, para a ideia de tornar o país uma referência mundial para o wakeboard. Neste momento está frio em todo o lado, mas aqui não. Pode estar para os portugueses mas para alguém que viva na Suíça, por exemplo, não está. Eu fiquei surpreendido com o clima, e muitas outras coisas, e atenção que estou neste desporto desde o seu início. E é mais fácil crescer num país em que as percentagens de praticantes são baixas mas as acessibilidades às linhas de água são excelentes.

De que números estamos a falar?

Em dólares americanos? Vejamos, 300 atletas, que viajam com outras pessoas, cerca de 900 ao todo. Estas gastam em média 500 dólares por dia, ficam 14 dias em média. Não é só virem para o campeonato, mas encontrar um sítio em que experienciem tudo. Elas ficarão em Lisboa e noutros sítios da região e farão disso as suas férias de família. Está na ordem dos milhões.

Conhecia Portugal antes desta visita?

Não conhecia. Toda a riqueza histórica, a hospitalidade das pessoas… Fiquei em Cascais, desta vez, para sentir isso tudo. Estou a aprender tudo nos últimos três a quatro meses, e é isso que temos de fazer. Fazer disto uma experiência, acomodar as pessoas para estar com a família. Eu traria a minha família.

Como é que tudo surgiu?

Fui contactado pelo André Matos. Eu já viajei pelo mundo mas quando vim negociar um evento para Portugal foi a primeira vez que cá vim. O André disse que devíamos ter aqui um evento para fazer parte do nosso World Series. Era suposto ser um evento profissional, de 30 homens e 20 mulheres com grande cobertura dos media mas restrito a profissionais. Havia vários locais em discussão para acolher o campeonato do mundo, como Cancun, no México, ou Tóquio, no Japão. Mas eu imediatamente sugeri e fiz força para que fosse Portugal. As acessibilidades para esses países não estavam prontas e as infra-estruturas não estão bem localizadas.

Estamos a falar de um projecto de três anos…

Sim. Mas este primeiro ano tem de ter sucesso. Não vou esconder isso. Muito está concentrado neste primeiro ano. Eu não conheço muitas destas pessoas que estão aqui mas têm sido formidáveis, têm-me perguntado o que preciso, o que quero para estar aqui e realizar o projecto, o que é óptimo.

Não chegou a haver muita negociação?

Foi instantâneo, e com o Luís e o André, o Luís Segadães das Sete Maravilhas de Portugal e a sua experiência em Marketing e promoção de eventos, e o André com a sua experiência nos desportos náuticos, estou muito feliz com a equipa. Estou muito confortável.

Um desporto e sua economia desconhecidos, como vão dá-los a conhecer à região?

Sim, penso que vai levar algum tempo a enraizar ao nível dos interesses locais, porque somos novos aqui, mas no global penso que será sucesso imediato. Localmente, penso que ao fim de três anos veremos grande aceitação dos locais. Não é nas praias, é no interior do país, e acho que isso vai precisar de alguma promoção e algum tempo a desenvolver, o que é fácil.

Quando poderemos ver desenvolvimentos no terreno, nomeadamente a montagem dos cabos para a prática do wakeboard?

Verão seis cabos instalados até aos mundiais. Podem ser acabados este mês, ou não, mas têm de estar acabados até ao mundial. O município (de Abrantes) já nos disse que podem ser instaladas as duas torres para os cabos. Entre os nacionais e os mundiais vamos ver muito desenvolvimento, e verão muita comunicação social e economicamente será instantâneo porque nós, do desporto, começaremos a aparecer. Mas o mais excitante para mim é o longo prazo, o que Portugal quer e o que nós queremos é tanto que venham pessoas e fiquem por duas semanas, gastem dinheiro nos restaurantes, hotéis, etc, como que se crie um cluster do wakeboard e que seja usado e visitado todo o ano.

Texto e foto: Ricardo Alves

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