Abrantes: Mulher de 77 anos morreu vítima de assalto e sequestro

Uma mulher, de 77 anos, morreu na madrugada de hoje no hospital de Abrantes, na sequência de um assalto ocorrido na noite de quarta-feira, em Alferrarede, informou à Lusa fonte da PSP.

Segundo esta fonte, o assalto a uma residência em Tapadão, Alferrarede, no concelho de Abrantes, ocorrido na noite de quarta-feira, terá culminado com agressões a um casal de idosos – a mulher de 77 anos e o homem de 89 anos -, que foram “manietados e amarrados” e tiveram de ser transportados para o hospital da cidade.

“Os dois idosos foram encontrados amarrados, vítimas de agressões”, e a mulher teve de ser reanimada pelos elementos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) destacados para o local, disse o porta-voz da PSP de Santarém, Jorge Soares.

“Entrámos na casa dos idosos na quarta-feira à noite”, face a um alerta “de que algo não estaria bem no interior da habitação e deparámos com este quadro de violência sobre duas pessoas de idade avançada, e em que a senhora estava inanimada”, acrescentou aquele responsável.

A PSP constatou que os assaltantes terão entrado na habitação “por uma porta das traseiras, deixando-os [aos idosos] amarrados e prostrados no solo de uma das divisões da residência”.
As duas vítimas foram transportadas ao hospital de Abrantes, onde a mulher morreu cerca das 05:00.

Lusa

Barquinha: Mau cheiro de exploração suinícola volta à agenda do concelho

_DSC0908

Em 2009 um abaixo-assinado circulou pelo concelho organizado por residentes de Vila Nova da Barquinha (VNB) mas o mesmo não resultou no objectivo de não licenciamento da exploração Suinícola da Herdade do Colmeiro, no topo norte da vila, entre o denso eucaliptal que cobre a área.

Facto é que o licenciamento foi e é atribuído e que, garantiram ao NA as entidades responsáveis, tudo está legalizado. O que mudou de 2009 até hoje foi a propriedade da exploração. Em meados de 2012 a exploração passou das mãos da empresa Caçador Pecuário Lda para a Carnes Valinho SA, uma empresa líder de mercado no abate e transformação de carne com sede em Alcanede, concelho de Santarém.

Na internet surgem os já habituais comentários de turistas sobre a beleza do concelho mas a recente novidade foi o salientar do cheiro, do mau cheiro. Os comentários de turistas estrangeiros, entretanto apagados de uma página de viagens e turismo, levantam a questão da compatibilidade do turismo, grande aposta no concelho, com a poluição ambiental causada. Recorde-se que em breve nascerão duas novas unidades hoteleiras na vila, junto a um dos ex-lybris do concelho: o Parque Ribeirinho.
No entanto, os verdadeiros prejudicados com a situação são os moradores. As novas urbanizações, nomeadamente no Alto da Fonte, ocuparam terrenos em que, asseguraram ao NA alguns populares, o mau cheiro sempre se sentiu, mas não existiam moradores. Actualmente a urbanização, uma de várias que nasceram, está praticamente ocupada com moradias e blocos de apartamentos.

_DSC0929

Carnes Valinho alega desconhecer a situação

O administrador da Carnes Valinho, David Vicente, de 29 anos, assegura que a exploração tem “todas as licenças em ordem, da autarquia inclusivamente” e que “não é nosso objectivo ter problemas com a exploração e prejudicar as populações”. David Vicente explicou ao NA que a empresa adquiriu esta e outras explorações nos últimos anos tendo a Herdade do Colmeiro sido comprada há dois anos.
Alegando desconhecimento sobre as queixas ou sobre os odores sentidos nas imediações, o administrador assegurou que na exploração trabalham “duas pessoas em permanência, que já eram funcionários da outra empresa, no maneio de animais e limpeza”. Durante a realização desta peça chegaram ao NA algumas fotos tiradas por populares em 2009 que aparentam mostrar dejectos a escorrer para o ribeiro a escassos metros da propriedade e que por sua vez fariam o percurso até à vila e ao Rio Tejo.
David Vicente afirma que não teve “conhecimento de qualquer prática menos correcta” e salienta as preocupações da empresa com a questão ambiental, “fazemos espalhamento, lagonagem e temos plano de gestão de efluentes” assegurando também que a exploração não foi alvo de coimas de qualquer tipo.
É na última fase de tratamento, na última de cinco lagoas, que o NA encontrou claros indícios de que os efluentes escorrem encosta abaixo, com aberturas e veios de considerável dimensão nas terras adjacentes, entorno muito provavelmente causado quando há aumento de pluviosidade. Também no local registámos a descarga lenta mas consistente que é feita para o ribeiro.

Perante os relatos do NA o administrador assegurou que vai pôr-se “no terreno para encontrar algum produto no mercado” e “tentar encontrar uma solução para o mau cheiro”.

_DSC0928

Assunto abordado em assembleia municipal

O presidente da autarquia, Fernando Freire, assegura que “no que concerne ao município tudo se encontra legal” e que “as análises efectuadas pelas entidades competentes têm dado sempre resultados em conformidade”. No entanto, conta que o assunto foi abordado na última assembleia municipal de dia 22 de Setembro, por um cidadão, e que é “uma queixa recorrente”. O mesmo aconteceu na assembleia de freguesia de VNB de dia 29 de Setembro.
Fernando Freire admite o “incómodo da situação” e assegurou que vai dirigir-se às entidades responsáveis com o assunto. O mesmo assegurou João Machado (PS), presidente da junta de Freguesia de VNB.

O NA apurou que a contribuição da empresa para a economia do concelho se limita ao pagamento do IMI, sendo que está isenta de derrama e a sede da empresa é em Alcanede, desconhecendo o NA a proveniência dos trabalhadores da exploração. O NA vai continuar a acompanhar a situação.

_DSC0914

O caso Valacóis

Diferente mas pelos mesmos motivos, o encerramento da suinicultura de Valacóis, em Praia do Ribatejo (VNB) em 2004 e que foi motivado por queixas da população relativas ao cheiro e insectos, sobretudo no Verão. Diferente pois ao contrário da Herdade do Colmeiro, a suinicultura de Valacóis não possuía estação de tratamento de efluentes e o proprietário, Dário Maio, da empresa Agrovarões, optou por encerrar a exploração recusando realizar o avultado investimento necessário. A exploração de Valacóis possuia um efectivo de cerca de 230 porcas e 1700 leitões.

_DSC0927

Texto e fotos: Ricardo Alves