Reportagem: Amores em fuga

Roger e Joan vivem em Constância e o seu (longo) percurso até nós conta peripécias dignas de um romance. Vindos de um país frio, com uma economia muito diferente da portuguesa, um viver muito diferente também, o casal britânico viajou para Portugal em busca de uma paixão perdida. Não a deles, que há muito existia, mas do filho, que acabou por ficar. O filho, a nora e os netos emigraram. Estão sozinhos, mas bem acompanhados, e sorriem.

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Em 1998, Roger e Joan, acompanharam o seu filho naquela que seria, talvez, a maior e mais importante aventura da sua vida. O filho mais velho do casal perdera-se de amores por uma jovem Portuguesa, Luísa. Conheceram-se em Londres, Inglaterra, na “Imperial College” onde Luísa finalizou os seus estudos.

A partida da jovem estudante para Portugal deixou o filho de Roger e Joan com o coração em mil pedaços. Ele com 28 anos, ela com 25, com família na Serra da Estrela mas residente em Lisboa, tinham de se reencontrar.

“Ele estava desesperado por vir a Portugal”, começa por contar Roger, “estava em frenética perseguição!”. Roger e Joan não falam português e apenas arriscam algumas palavras e expressões que ouvem diariamente pela vila. Na primeira vinda a Portugal, a de “resgate” de Luísa, Roger fez a sua primeira grande viagem, “pegámos no Land Rover, carregámos as malas e fiz uma grande viagem pelo lado errado da estrada (ndr. em Inglaterra conduz-se pelo lado esquerdo). “Viemos por Espanha, eu não falo nada de espanhol, absolutamente nenhum português e achei muito difícil, e muito diferente. As pessoas respondem de forma diferente em cada país”, divaga Roger.
Após muitas outras viagens para o nosso país, o casal acabaria por se estabelecer em Lisboa, em pleno centro da capital, na Rua Pascoal de Melo, perto de Arroios. “Não gosto de Lisboa”, dispara rápido Roger, “não conhecia, mas estávamos perto da família”. “Viemos uma vez por Arganil e Mirandela e é tão diferente de Lisboa, gostámos do Minho, do Norte mas era muito longe”. Acabaram em Constância e a decisão foi simples, mais que o nascer da paixão pelo nosso país, ao contrário do filho.

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“Demorou algum tempo mas também nós nos apaixonámos por Portugal. Durante uma das nossas viagens descobrimos esta região e gostei, simplesmente. Olhámos em redor e gostei logo de Constância”. “Eu podia viver aqui”, pensou imediatamente Roger, e assim foi, em 2011. “Tem serviços de saúde, o comboio perto, autocarros, bons acessos, dois rios… Não viveria num sítio de onde não pudesse viajar com facilidade”, confessa Roger.

Uma casa em ruínas, uma vida inaugurada. Joan, de 75 anos, e Roger, 66 anos, viviam numa pequena cidade inglesa, ‘Bradford on Avon’, com cerca de 9 mil habitantes, e Joan vê muitas semelhanças com Constância. “É uma cidade no meio de um vale, com um rio, barcos e edifícios antigos”, explica Joan, e Roger finaliza “e também sofre de cheias”. A cidade inglesa é conhecida pelos seus bares (pubs) e restaurantes, as lojas e os edifícios cuja história remonta ao tempo dos Romanos.

Em Constância apenas visitaram uma casa, “esta”, diz Joan olhando em redor. “Estava completamente em ruínas”, conta Roger que veste roupa de trabalho, sempre com a fita métrica à cintura, “sabíamos que estava em mau estado mas uma arquitecta portuguesa que conhecemos em Macau, a Carla, negociou com a câmara e projectou a reconstrução. Está agora muito próxima do projecto original de há 100 anos”.

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Sobre as pessoas, apenas encontra elogios, “têm sido muito amáveis, muito prestáveis, tal como a Câmara Municipal de Constância que mediou o processo”. Na casa, “trabalho nela todos os dias, menos aos domingos, desde que chegámos” diz Roger, com grandes janelas viradas para o Tejo, estão as fotos dos filhos, da nora, dos netos, a companhia dos dias que procuraram em Portugal mas que actualmente são a única presença possível nas suas vidas. Emigraram para os Estados Unidos da América.

A crise que não olha a nacionalidades. Talvez se o contexto fosse Inglaterra as coisas tivessem sido diferentes, num país mais forte economicamente em que os jovens não se vissem obrigados a emigrar em busca de melhor vida. Joan e Roger vieram para Portugal para encurtar distâncias com a família mas acabaram ainda mais longe.
Os netos, Sara (9 anos) e Tiago (11 anos), vivem em Rochester, no estado de Nova Iorque, com os pais. “Não sabem quanto tempo, mas já têm os vistos de residência e por lá deverão ficar”. O filho é um Físico Teórico e Luísa é professora de Química Teórica, ambos na Universidade de Rochester, uma das melhores nos EUA. Apesar de resignado às evidências o casal deixa escapar que “são mais dois cérebros que fugiram do país”.

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Numa lombada da sala está um pequeno tecido doirado pendurado no qual o casal pendurou os postais que recebe, muitos corações e flores coloridos em dezena e meia de postais. A maior comunicação que têm com a família emigrante é através de carta. Roger mostrou o bloco que usa e tem sempre à mão. “Há sempre uma caneta por perto, e por vezes uso a pena e tinta, à antiga”.

Não têm televisão, computador, e até o telefone fixo “está em vias de desaparecer”, conta Roger. Comunicam por telemóvel e passam os dias a ler livros e jornais, é assim que também vão conhecendo Portugal, a região e algumas palavras em português.

Em Inglaterra, Roger construía barcos, e alguns berços em forma de barco, entre outros. Desde que compraram a casa que Roger é inseparável da fita métrica e uma navalha, “uso-a para as laranjas, faço compotas e doces com elas”. No exterior da casa tem uma laranjeira farta, ao NA ofereceu um saco.

“A minha mulher trabalhava, era enfermeira, e eu tomava conta das crianças, e fazia coisas, mobília, barcos e berços, uma ou duas casas”, “isso não é bem verdade”, interrompe-o Joan em gargalhadas, refutando a insistência de Roger em dizer que não trabalhou.
Após algum silêncio Roger fala entre sorrisos do modo como a comunidade o aborda, “Ó Roje, ó Roje”, mas retorna o olhar, a espaços vazio.

“A minha nora, Luísa, está a ter dificuldades na América. Diz que em Portugal as pessoas vão ao encontro das outras, ao passo que na América elas afastam-se”, confidencia Joan. Longe da família e em pleno Inverno, o casal aquece-se à salamandra sempre de janelas escancaradas para o rio, “gostamos de ver os pássaros subir o rio ao fim da tarde”.

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Apesar das distâncias Roger e Joan sorriem. Sente-se o calor da casa, da hospitalidade e simpatia. Olham o Tejo, que em Constância encontra o Zêzere, os pássaros, na esperança que o reencontro com a família suba rápido o rio e lhes espreite pelas janelas novamente, para dentro de uma casa que todos os dias fica mais pronta para a receber.

Texto: Ricardo Alves
Fotos: Ricardo Escada

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Tentativas de assalto esta madrugada em Barquinha e Golegã

encapuzado1Parece que é uma “moda” que veio para ficar. Esta madrugada ocorreu pelo menos uma tentativa de assalto a uma pastelaria em Vila Nova da Barquinha. Passavam poucos minutos das 5h00 da madrugada quando os assaltantes tentaram entrar no estabelecimento junto às oficinas da Câmara Municipal, a escassos metros da estrada nacional 3. Esta não foi, segundo a proprietária da pastelaria, a primeira nem a segunda vez que tal acontece. As tentativas anteriores falhadas não impediram os meliantes de tentarem mais uma vez.

Apesar de não confirmado oficialmente, algo que o Jornal Novo Almourol tem estado a tentar desde manhã, o assalto à pastelaria em VNB terá feito parte de uma vaga de tentativas. Antes, os assaltantes terão tentado a sua sorte em Golegã, acabando a madrugada num outro estabelecimento de VNB depois de uma primeira tentativa falhada na vila. O JNA vai tentar confirmar e recolher mais informações sobre a possível vaga.

Certo é que os recentes acontecimentos estão a deixar os comerciantes em alerta. No dia 24 de Janeiro o café das bombas de gasolina em Constância foi assaltado. O mesmo aconteceu no dia 10 de Fevereiro num outro estabelecimento na urbanização Alto da Fonte em VNB. Em ambas as situações os meliantes levaram a máquina de tabaco respectiva.

Esta manhã estiveram na pastelaria em VNB elementos da Polícia Judiciária que recolheram impressões digitais.

Reunião pública em Vila Nova da Barquinha para debater serviços públicos

No dia 28 de Fevereiro, sexta-feira, às 21h00, na Junta de Freguesia de Vila Nova da Barquinha, com sede em Moita do Norte, a Comissão de Utentes de Saúde do Médio Tejo (CUSMT) e o Secretariado do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) de Santarém organizam mais uma reunião pública com o objectivo de debater a prestação de serviços públicos e a organização dos utentes.

“Vivemos num tempo em que estão em perigo os serviços públicos. Uns encerram, outros ficam mias longe e mais caros. Outros, ainda, deixam de ter a qualidade necessária. São directamente prejudicadas as populações e as comunidades locais ficam mais pobres”. O apelo da CUSMT e da MUSP Santarém é de resistência e organização das populações.

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Entrevista Fernando Freire: “O concelho e a região possuem um enorme potencial”

Fernando Freire, presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, congratula-se com o aumento exponencial da oferta de camas turísticas no concelho. Em breve entrevista ao NA, fala de grandes potencialidades.

JNA – A falta de camas turísticas tem sido apontada como uma lacuna pelos executivos de VNB. Este aumento é o começo de uma nova etapa turística no concelho?
Pela sua localização geográfica e pela sua história, Vila Nova da Barquinha é detentora de um vasto e rico património natural, arqueológico e arquitectónico: dos monumentos nacionais Castelo de Almourol e Igreja Matriz de Atalaia, até ao PECA, um magnífico produto turístico que necessita de ser melhor divulgado, e provavelmente melhor enquadrado de forma a poder tornar-se numa mais-valia para a região, com a novel Galeria de Arte e a Escola Ciência Viva, julgamos que encetámos uma nova etapa para tornar o turismo numa actividade económica geradora de crescimento e progresso para a região e para VNB.

JNA – VNB tem dos volumes de projectos e investimento maiores na área de acção da ADIRN. A que se deve?
Nos últimos anos os projectos do Município foram, essencialmente, do QREN. Todavia, tendo os fundos comunitários vários programas, não olvidamos o PRODER cuja responsabilidade de gestão cabe à ADIRN. Consequência de grande dinamização do programa, com contacto pessoal com os promotores, e da ajuda dos técnicos do Município e da ADIRN, foi possível efectuar elevado número de candidaturas com elevada capacidade técnica e aprová-las com benefício das microempresas, IPSS´s, colectividades, etc. 

JNA – Estão reunidas as condições para aproveitar o potencial turístico do concelho?
Com relevância da nossa conhecida hospitalidade, com a criação do posto de turismo, de novas cinco unidades de alojamento local e com a construção do albergue da Juventude, estão iniciadas as condições de informação e da oferta de alojamento. Temos de valorar a permanência das pessoas no nosso território o que, certamente, será fonte de riqueza e de desenvolvimento da região.

JNA – Quais as grandes preocupações do executivo na área do turismo?
É importante mudar mentalidades e olhar o turismo como uma receita e não uma despesa. Temos que apostar na requalificação do património, como é exemplo o castelo de Almourol, apostar nos percursos ribeirinhos, na ciclovia para ligar os concelhos confinantes e facilitar a mobilidade entre as populações. E não nos podemos esquecer que o concelho, e a região, possuem um enorme potencial para o desenvolvimento, um aeroporto regional em Tancos – Praia do Ribatejo e, também, um novo produto turístico, o turismo militar, centrado no turismo activo, aproveitando as excelentes relações institucionais com as autoridades militares.

JNA – Que efeitos terá este aumento na vila, no seu centro histórico, economicamente?
A presente entrevista é direccionada para o nosso concelho. Porém, devemos ter uma visão regional do âmbito do quadro 2014-2020. Existem na região inúmeros pólos de atracção turística que podem complementar a oferta e ajudem a acrescentar as estadias médias na nossa Vila e no Médio Tejo (como Fátima, o Convento de Cristo, etc).
VNB tem uma centralidade de excelência quer em termos rodoviários quer ferroviários quer aeroportuários, (não devemos deixar cair a questão do aeroporto!) o que permite deslocações rápidas e seguras para quem nos visita. O facto de termos pontos de relevante interesse turístico favorece a criação de pólos de comércio e de restauração no nosso concelho o que levará os visitantes, ou turistas, a tornarem-se consumidores. Se isso acontecer todos ganhámos, porém, o futuro a Deus pertence.

(Entrevista com Fernando Freire, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, sobre o aumento do número de camas turísticas no concelho. Extracto da edição de Fevereiro do JNA)

Barquinha 2020: GADEL no centro da estratégia do desenvolvimento económico

O MUNICÍPIO DE VILA NOVA DA BARQUINHA (VNB), a empresa municipal CDN – Gestão e Promoção do Parque Industrial de VNB – e o Gabinete de Apoio ao Desenvolvimento e Empreendedorismo Local (GADEL ) vão trabalhar em estreita ligação com o objectivo de apoiar a criação de empresas, emprego e projectos no concelho.

Em despacho de Fernando Freire, presidente da autarquia, datado de 15 de Janeiro último, são determinadas aprovadas as sugestões do GADEL relativamente a vários pressupostos que visam dotar o concelho de maior capacidade de acompanhamento de projectos e empresas e promoção do concelho junto de potenciais investidores.

A sinergia entre o município, a CDN e o GADEL ganha desde logo forma com a criação de um espaço físico dedicado ao investimento concelhio, com a presença de um técnico do gabinete, um representante da empresa municipal e um assistente administrativo. A sala vai situar-se no segundo andar do edifício dos Paços do Concelho.

A informatização e modernização dos dados do concelho é outra das prioridades com a “criação de uma base de dados dedicada ao investimento concelhio, com possibilidades de novos investimentos privados por freguesia, e outras informações relevantes”.

Uma outra novidade é a criação da “Via verde ao investimento”, que consiste em dar maior prioridade de tratamento aos processos relacionados com o desenvolvimento económico que entrem na câmara municipal para licenciamento. O objectivo desta medida é “acelerar a sua análise e aprovação, possibilitando aos investidores executarem projectos com celeridade”, lê-se no parecer aprovado por Fernando Freire.

O GADEL vai funcionar como receptor de informações sobre os “pedidos de licenciamento de actividades económicas (incluindo turismo) por forma a serem identificadas possibilidades de apoios nacionais ou comunitários”.

Na calha está também a “criação de redes de desenvolvimento económico e de promoção do emprego concelhio com uma rede de parceiros com actividades regulares e práticas ao nível do empreendedorismo, empresários, potenciais investidores e associações empresariais”. No âmbito do estreitar de oportunidades, entre empresários e desempregados, está prevista a criação da plataforma de emprego municipal, onde os cidadãos poderão inserir os seus dados, seja na procura ou oferta de emprego.

O “Viveiro de Empresas” é outro projecto, e que visa o acolhimento de novos projectos empresariais em fase de início de actividade, com a criação de um espaço físico dependente de possível financiamento.

Transversalmente expresso no documento está o objectivo de estabelecer maior contacto directo com os empresários, potenciais investidores e escolas e realizar sessões de empreendedorismo junto das crianças em ambiente escolar. O site do município na internet vai igualmente ter disponível um espaço para divulgação das empresas do concelho e vai proceder-se à produção de um filme e power point de promoção, pelo Gabinete de Informação e Relações públicas do município, para os investidores.

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Rir na Barquinha com “The Snow Comedy Show”

O Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha recebe na próxima sexta-feira, dia 21, um espectáculo de humor com Pedro Neves…

E quem é Pedro Neves? É um dos humoristas que “em meados de 2002, participou numa noite de anedotas com uma piada, uma versão de música à guitarra e, desde então, não mais parou”, “participou em programas televisivos da TVI (último a Rir), SIC (Levanta-te e RI), RTP (Tudo Sobre e Sempre em Pé), Porto Canal (Bolhão Rouge) e MVM (Sempre a(b)rir)”.

Pedro Neves apresenta-se como um humorista com uma maneira esquisita de falar e, consequentemente, com uma maneira esquisita de ver o mundo que o rodeia.

Fica uma pequena amostra:

http://www.youtube.com/watch?v=jQL_-Zc1q1Q

Vai estar em Vila Nova da Barquinha numa organização da empresa “Welcome To”. Os bilhetes estão à venda no Posto de Turismo da vila e o espectáculo está marcado para as 21h30. A “Welcome To” tem também um passatempo na sua página de Facebook através do qual pode ganhar bilhetes para o espectáculo.

VN Barquinha: Visita de D. Manuel Pelino, Bispo de Santarém ao Centro de Interpretação de Arqueologia do Alto Ribatejo (CIAAR) e Jornal Novo Almourol

A visita realizou-se no âmbito do périplo pelo concelho de Vila Nova da Barquinha, apenas uma de muitas actividades constantes no programa.

D. Manuel Pelino e o padre Ricardo Madeira foram guiados pela Subdirectora do Jornal Novo Almourol, Cidália Delgado pelas instalações do CIAAR e da redacção do JNA.

Ana Rosa Cruz, Gabriel Berruti, Hugo Gomes, David Delfino, Ana Graça e Cristiana Ferreira explicaram os trabalhos de investigação em curso no CIAAR e guiaram os dois visitantes pelas exposições permanentes, ao passo que Ricardo Alves, editor do JNA e Cidália Delgado, falaram sobre a nova etapa do JNA e os objectivos do jornal.

Uma visita acompanhada de perto por António Roldão que fez a ponte com o passado do JNA, que inicialmente pertenceu à paróquia, em 1957.

Leia a reportagem completa na edição de Março do JNA.

 

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